Webinar que conecta empreendedores negros ao Fungetur
Como parte da programação oficial do Governo Federal para o Novembro Negro 2026, o Ministério do Turismo (MTur), em parceria com a Associação Brasileira de Afroturismo (Abrafro), realizou o webinar “Rotas Negras em Ação: oportunidades e acesso ao Fungetur”. O encontro teve como objetivo aproximar empreendedores negros do afroturismo dos instrumentos financeiros disponíveis no Fundo Geral de Turismo (Fungetur), estimulando a expansão de negócios e a modernização de infraestruturas.
Linhas de financiamento do Fungetur
Durante o evento, foram apresentadas as condições do Fungetur, que disponibiliza mais de R$ 1 bilhão em recursos para empreendimentos turísticos em 2026. Os financiamentos podem chegar a R$ 15 milhões, com taxas de juros de até 5 % ao ano, acrescidas do INPC. Os prazos variam conforme a finalidade do crédito: até 120 meses para aquisição de bens e capital de giro, e até 240 meses para obras e reformas, com carência de até cinco anos, dependendo da modalidade.
Sinara Leandra de Souza, integrante do Comitê Gestor do Programa Rotas Negras e coordenadora de Aproveitamento de Ativos Naturais do Ministério do Turismo, destacou que “aproximar os negócios do afroturismo das linhas de financiamento do Fungetur é justamente fazer com que essas iniciativas cresçam e ocupem cada vez mais espaço no mercado turístico brasileiro.”
Testemunhos de empreendedores
Entre os participantes do webinar estava Elielson Pereira, empreendedor quilombola que dirige a agência Céu de Gaia Astroturismo na Chapada dos Veadeiros (GO). “O encontro me trouxe esperança, já que sinto dificuldades de acesso a recursos,” afirmou Elielson. Ele vê no Fungetur a possibilidade de dar continuidade e ampliar suas atividades no Centro‑Oeste, especialmente em territórios quilombolas como Kalunga e Avá‑Canoeiro.
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Outra participante foi Tâmara Azevedo Cardoso, da Bahia Turismo e Arte, que planeja abrir um espaço físico no centro de Salvador (BA). “O Fungetur é fantástico em relação às taxas de juros bem menores, ser facilitado, ter uma carência boa,” explicou Tâmara. Ela pretende usar o financiamento para adquirir equipamentos e um automóvel com capacidade para sete passageiros, ampliando a estrutura da empresa que atualmente opera apenas no ambiente digital.
Beth Brusco, jornalista e idealizadora da Afrovia, também se beneficiou da apresentação. “O encontro me surpreendeu positivamente pela riqueza de detalhes e esclarecimentos para quem está, como eu, em busca de monetização de projeto,” relatou. O projeto Afrovia visa ampliar a produção editorial sobre afroturismo, e a informação sobre o Fungetur abriu novas perspectivas de viabilização.
Ampliação do acesso às políticas públicas
Além das linhas de crédito, o Ministério do Turismo está ampliando o conhecimento sobre o perfil dos empreendedores do setor. Foi incluída obrigatoriamente a coleta de dados sobre raça, etnia e gênero no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur). A mudança visa produzir dados que contribuam para a formulação de políticas públicas, a qualificação profissional e o mapeamento do acesso ao crédito, permitindo identificar desigualdades e orientar ações de inclusão no turismo.
Com cadastro ativo no Cadastur, os empreendedores podem solicitar financiamento pelo Fungetur para diferentes empreendimentos da cadeia turística, como agências de viagens, pousadas, transportadoras turísticas, locadoras de veículos, cafeterias, bares e restaurantes.
Conclusão
O webinar “Rotas Negras em Ação” demonstrou que o acesso facilitado a linhas de financiamento do Fungetur pode ser um catalisador para o crescimento do afroturismo, ampliando a presença de empreendedores negros no mercado turístico brasileiro. Ao combinar recursos financeiros com dados inclusivos e políticas públicas direcionadas, o Ministério do Turismo e a Abrafro estão construindo uma base sólida para que o potencial cultural e econômico da comunidade afro‑brasileira seja plenamente explorado.
