Brasil aposta em nova onda de exportações na CIIE
36 empresas e cooperativas brasileiras compareceram à China International Import Expo (CIIE) em Xangai, na China, com o objetivo de ampliar a presença do país no mercado asiático. A delegação, coordenada pela ApexBrasil, estimou movimentar US$ 280 milhões em negócios durante a feira, que se estendeu de 5 a 10 de novembro no National Exhibition and Convention Center (NECC).
O evento acontece em um momento de forte crescimento no comércio bilateral. Em 2025, o volume de comércio entre Brasil e China atingiu US$ 171 bilhões, dos quais US$ 100 bilhões representaram exportações brasileiras, gerando um superávit superior a US$ 29 bilhões. Este foi o 17º ano consecutivo de saldo positivo nas trocas comerciais entre os dois países.
Na entrevista concedida à CGTN, Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil, ressaltou que a parceria vai além de relações governamentais. “Nosso grande objetivo é ampliar as exportações que já fazemos, principalmente interiorizar mais a China. É um trabalho de fazer com que o Brasil seja mais conhecido, mas também diversificar. Brasil e China têm uma complementaridade muito grande. São parceiros super estratégicos, que ultrapassam governos e vêm para o mundo empresarial. O Brasil se coloca como um parceiro estável, confiável, que é o que a China busca”, afirmou.
Exposição de produtos brasileiros a importadores chineses
Os expositores se reuniram no National Pavilion, localizado no NECC. A composição da delegação incluiu representantes da indústria de proteína animal, como a ABPA e a Aurora Coop, além de entidades ligadas à agricultura familiar, como a UNICAFES.
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A oferta foi ampla: carnes bovina (US$ 8,8 bilhões em vendas), café não torrado (US$ 459 milhões), vinhos da Vinícola Salton, mel e própolis da ApisBrasil e CONAP, cachaça da Cachaça Pernambucana, sucos e açaí da Açaí Super Fruta e da Bela Iaca. Empresas de comércio exterior, como Atlântica e DCDF Trading, também integraram a delegação.
Promoção comercial
Para atrair compradores, a ApexBrasil organizou demonstrações gastronômicas e atividades interativas. Um dos destaques foi o XBOT, robô que preparou sorvete de açaí ao vivo em parceria com a Açaí Amazonas e a Ecofood. A rede asiática Luckin Coffee apresentou grãos brasileiros da categoria SOE (Single Origin Espresso) e outras bebidas à base de café.
Os visitantes puderam degustar churrasco brasileiro, participar de quizzes sobre café, carne e frutas, e receber brindes após completar os três testes. A programação também incluiu demonstrações de preparo, uma máquina de jornais tradicionais e distribuição de pelúcias de capivara.
Rede de apoio
A delegação contou com representantes da ApexBrasil, do governo federal, do corpo diplomático e de entidades empresariais. Entre os diplomatas presentes estavam o embaixador do Brasil em Pequim, Marcos Galvão, e o cônsul-geral em Xangai, Augusto Pestana. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou a diretora do Departamento de Promoção do Agronegócio, Ângela Pimenta Peres, e os adidos agrícolas Jean Gouhie e Leandro Feijó. No setor privado, participaram o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, e o conselheiro da diretoria da UNICAFES, Luciano Monteiro. Executivos da Luckin Coffee acompanharam discussões sobre sustentabilidade e consumo.
Esta foi a nona participação consecutiva do Brasil na CIIE, que começou em 2018. A estratégia brasileira visa não apenas fechar novos contratos, mas também diversificar a pauta exportadora, reduzindo a dependência de commodities e ampliando a presença de produtos de maior valor agregado no mercado chinês.
