Suspensão imediata e seus impactos
A partir desta quinta-feira (3) o Brasil suspende a exportação de carne de frango, bovina e suína, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos para a União Europeia (UE). A medida responde à legislação europeia que restringe o uso de determinados antimicrobianos na produção animal.
Em 2025, a UE importou US$ 1,8 bilhão em produtos de origem animal do Brasil, correspondendo a 368,1 mil toneladas, segundo dados do Agrostat – Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro.
No segmento de frango, a suspensão deverá ser revertida em novembro, após a conclusão da auditoria europeia. Até então, as perdas podem chegar a US$ 243 milhões, considerando a média mensal exportada pelo Brasil ao bloco neste ano, de US$ 97,136 milhões.
O Relatório Anual 2026 da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indica que o Paraná foi o principal estado exportador de carne de frango, com 2.103.688 toneladas (40,76 % do total). Santa Catarina ficou em segundo lugar com 1.201.818 toneladas, seguido pelo Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.
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No mercado de carne bovina, o Paraná ocupou a décima posição entre as unidades federativas exportadoras em 2025, com 46.819 toneladas, segundo o Beef Report 2026 da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) alerta que o embargo europeu pode provocar um impacto superior a US$ 392,2 milhões por ano nas principais cadeias pecuárias do estado, especialmente na avicultura e bovinocultura de corte.
Principais estados exportadores de carne de frango em 2025
- Paraná — 2.103.688 toneladas (40,76 %)
- Santa Catarina — 1.201.818 toneladas (23,28 %)
- Rio Grande do Sul — 686.359 toneladas (13,30 %)
- São Paulo — 330.828 toneladas (6,41 %)
- Goiás — 272.908 toneladas (5,29 %)
- Minas Gerais — 199.637 toneladas (3,87 %)
- Mato Grosso do Sul — 178.244 toneladas (3,45 %)
- Mato Grosso — 99.639 toneladas (1,93 %)
- Distrito Federal — 75.241 toneladas (1,46 %)
- Espírito Santo — 3.354 toneladas (0,06 %)
Carne bovina
O setor brasileiro pode deixar de exportar cerca de US$ 1,828 bilhão de carne bovina entre setembro deste ano e julho de 2028, período necessário para que a cadeia se adapte às novas exigências. O valor considera a média mensal de embarques registrada ao longo de 2026.
O professor de Agronegócio Global do Insper, Marcos Jank, observa que o impacto da suspensão sobre as exportações brasileiras não deve ser tão expressivo, pois a UE representa um mercado menor em comparação com a China.
Em 2025, o Brasil exportou 4.529.156 toneladas de carne bovina, das quais 2.143.058 toneladas foram destinadas à China e 231.456 toneladas ao mercado europeu, segundo dados da ABIEC.
“O que acontece na Europa é que eles pagam preços melhores, porque a gente atende diversos segmentos lá, por isso, os preços são mais altos do que em outros lugares do mundo. Mas os volumes são bastante baixos e restringidos por cotas”, explica Jank.
Além disso, Jank destaca a abertura, pelos Estados Unidos, de uma cota de três meses para a importação de 300 mil toneladas de carne bovina do Brasil e do Paraguai como alternativa para o redirecionamento das exportações.
“Parte do que a gente deixou de vender para a União Europeia vai para os Estados Unidos, que estão precisando de carne. Os Estados Unidos estão em um ano muito ruim de produção e é por isso que a tarifaço não entrou para carne bovina”, acrescenta.
