Em uma movimentação que pode mudar o curso da logística no Nordeste, a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), propôs ao Ministério dos Transportes que a conexão da Ferrovia Transnordestina com a Ferrovia Norte-Sul deixe de ocorrer em Porto Franco (MA) e passe a ser feita em Guaraí (TO). Essa mudança pode ter impactos significativos para os estados do Maranhão e Tocantins.
A proposta da TLSA é que o novo trecho da ferrovia partiria de Eliseu Martins (PI) e seguiria até o Terminal de Guaraí (TO), localizado no município de Tupirama e conectado à Ferrovia Norte-Sul. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), o percurso teria cerca de 654 quilômetros, 34 quilômetros a mais que a alternativa atualmente prevista via Porto Franco (MA).
A mudança proposta pela TLSA está em análise no Ministério dos Transportes e dependerá da conclusão de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental. A proposta já está gerando reações nos governos locais, moradores e representantes do setor produtivo, que defendem a manutenção da conexão da Ferrovia Transnordestina com a Ferrovia Norte-Sul em Porto Franco (MA).
Para a Prefeitura de Porto Franco (MA), o projeto é estratégico para o desenvolvimento da região e pode atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a economia local. Já a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Franco afirma que a mudança preocupa o setor produtivo local por retirar da região uma oportunidade estratégica de desenvolvimento.
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No entanto, no Tocantins, a avaliação do setor produtivo é de que a mudança pode ampliar a competitividade da economia estadual. Para o assessor da Presidência da Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto), José Roberto Fernandes, a proposta pode fortalecer a logística, ampliar a industrialização do estado, fortalecer a cadeia de alimentos, além de atrair investimentos e aumentar a geração de empregos.
A Ferrovia Transnordestina é considerada um dos principais projetos de infraestrutura logística do país, com aproximadamente 1.750 quilômetros de extensão. A ferrovia tem potencial para ampliar o escoamento de minérios estratégicos e commodities agrícolas pela região portuária.
A entrega da Fase 1 do projeto, que liga o Porto de Pecém (CE) ao sertão do Piauí, está com cerca de 75% de execução e tem previsão de ser finalizada em 2027. Já a entrega da Fase 2 deve ocorrer em 2029.
A decisão sobre a mudança do trajeto da Ferrovia Transnordestina dependerá da conclusão de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental. Enquanto isso, os governos locais e o setor produtivo continuam a defender a manutenção da conexão da Ferrovia Transnordestina com a Ferrovia Norte-Sul em Porto Franco (MA).
