Introdução
O estado de Minas Gerais tem se destacado como o principal polo de desenvolvimento de projetos de terras raras no Brasil, concentrando mais de 20% da demanda global potencial. A região do Complexo Alcalino de Poços de Caldas abriga depósitos de argila iônica de classe mundial, atraindo investimentos de empresas internacionais e prometendo transformar a cadeia de valor mineral nacional.
Complexo Alcalino de Poços de Caldas: O Epicentro
Localizado no sul do estado, o Complexo Alcalino detém os três projetos de terras raras mais avançados do Brasil, liderados pela Viridis Mining, Meteoric Resources e Mosaic/Rainbow. Esses empreendimentos representam a maior concentração de iniciativas em andamento no país.
Viridis Mining e o projeto Colossus
A Viridis Mining está desenvolvendo o Colossus, que explora um depósito de Argila de Adsorção Iônica (IAC) com 493 milhões de toneladas a 2.508 ppm de óxidos totais de terras raras (TREO). A reserva inaugural de 200,6 milhões de toneladas promete uma vida útil superior a 40 anos, contendo neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, elementos críticos para ímãs permanentes.
Em maio de 2026, a empresa inaugurou seu Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR) em Poços de Caldas, investindo cerca de R$ 25 milhões (US$ 5 milhões). A planta, de 5 mil metros quadrados, é a maior demonstração de carbonato de terras raras mistas (MREC) em operação no Brasil. O primeiro lote produzido atingiu 78,8% de recuperação de óxidos magnéticos (MREO) e 64% de óxidos totais (TREO).
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A Viridis firmou uma carta de intenções com a Solvay S.A., que garantirá fornecimento de MREC e trará tecnologia de separação de terras raras reconhecida mundialmente. O projeto tem previsão de investimento de US$ 356 milhões e a primeira produção comercial está marcada para 2028.
Meteoric Resources e o Projeto Caldeira
A Meteoric Resources avançou no Caldeira, em Caldas, Minas Gerais, elevando sua estimativa global de recursos minerais para 1,6 bilhão de toneladas em julho de 2026. Os recursos medidos aumentaram 246%, passando de 37 milhões para 128 milhões de toneladas.
Com reserva atualizada de 151 milhões de toneladas a 3.524 ppm de TREO, o projeto prevê produção de 3.862 toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb anualmente, com recuperação de terras raras magnéticas de 71%. O DFS, concluído em agosto de 2026, baseou-se em mais de 55.500 amostras de 90.000 metros de perfuração.
A Meteoric também inaugurou em dezembro de 2025 uma planta-piloto de 25 kg/h de argila iônica, investindo aproximadamente 1,5 milhão de dólares australianos e produzindo 455 kg de carbonato de terras raras por ano. A planta industrial prevista tem custo de US$ 450 milhões e espera iniciar produção no segundo semestre de 2028.
Parcerias Comerciais e Financiamento da Meteoric
Em julho de 2026, a Meteoric firmou um memorando de parceria estratégica com a POSCO International Corporation, que poderá adquirir até 30% do material de terras raras produzido pelo Caldeira por até sete anos. Em agosto de 2024, um memorando com a Ucore Rare Metals garantirá fornecimento de 3.000 toneladas métricas de TREO para Alexandria, Louisiana.
A empresa também assinou acordos com a MTM Critical Metals (junho de 2025) e recebeu cartas de apoio da Export Finance Australia (jan. 2026) e do EXIM (mar. 2024), assegurando financiamento indicativo de até US$ 50 milhões e US$ 250 milhões, respectivamente.
Mosaic Fertilizantes e a Extração de Terras Raras em Resíduos
A Mosaic, em parceria com a Rainbow Rare Earths, está desenvolvendo um projeto em Uberaba que extrai terras raras de fosfogesso, subproduto do processamento de rocha fosfática. A capacidade prevista é de 2,7 milhões de toneladas/ano de fosfogesso, gerando 1.900 toneladas de NdPr e 600 toneladas de concentrado de SEG+.
O projeto, que utiliza tecnologia de extração proprietária testada em Phalaborwa (África do Sul), prevê estudos de Pré-Viabilidade e Viabilidade Definitiva até o final de 2026, com início de operações comerciais em 2030, contribuindo para a sustentabilidade e economia circular.
St. George Mining e o Projeto Araxá
A St. George Mining, após adquirir os direitos minerários da Itafós em fevereiro de 2025, aumentou em 57% a estimativa total de recursos para 111,2 milhões de toneladas com 3,57% de TREO. O projeto conta com 75,2 milhões de toneladas de recursos medidos e indicados a 364% de TREO.
Com investimento estimado em R$ 2 bilhões, a empresa atraiu capital de investidores globais como Hancock Prospecting, ATL e a siderúrgica chinesa Fangda. Em junho de 2026, a St. George anunciou resultados promissores de flotação, recuperando 82% de TREO em rejeitos de nióbio e atingindo 15,7% de TREO em concentrado.
A parceria com a Boston Metal em abril de 2026 visa avaliar tecnologia de eletrólise de óxido fundido, potencialmente reduzindo custos e emissões. A empresa planeja alcançar capacidade de 20 mil toneladas anuais de produtos de nióbio e terras raras.
Outros Projetos em Perspectiva
A Power Minerals, listada na bolsa australiana, adquiriu a Mineração Terras
