Empresas industriais enfrentam aumento significativo nos custos de transporte
As empresas industriais brasileiras estão enfrentando um desafio significativo com o aumento dos custos de transporte de mercadorias. De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 95% das empresas consultadas no primeiro trimestre de 2026 relataram aumento nos custos de frete, seguro e logística. Esse aumento é atribuído, em grande parte, aos efeitos da guerra no Oriente Médio, que provocou um choque nos preços internacionais do petróleo e de outros insumos estratégicos para a indústria brasileira.
Segundo Rafael Sales Rios, especialista em Políticas e Indústria da CNI, o Estreito de Ormuz concentra uma parcela significativa do fluxo mundial de petróleo, o que faz com que eventuais interrupções no comércio da commodity tenham repercussões globais. “Quando há um impacto na comercialização do petróleo, os preços internacionais sobem e isso gera um efeito cascata sobre outros insumos, como fertilizantes, plásticos, etc. Assim, os custos se espalham por todas as etapas da cadeia produtiva, inclusive o transporte”, explica.
O Brasil é particularmente vulnerável a esse cenário devido à predominância do modal rodoviário no escoamento da produção. Como a maior parte das mercadorias é transportada por caminhões movidos a derivados de petróleo, a elevação dos combustíveis acaba pressionando toda a logística nacional.
Segundo a pesquisa, 56% das indústrias consultadas classificaram como “forte” o gasto com transporte de mercadorias. Entre as empresas exportadoras, o percentual chega a 59%, enquanto, entre as importadoras, 61% relataram forte encarecimento dos custos logísticos no primeiro trimestre.
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Medidas do governo devem ter efeito limitado
Na avaliação dos empresários, as medidas adotadas pelo governo para conter a alta dos custos – como a subvenção ao diesel e a suspensão temporária de tributos federais sobre os combustíveis – terão impacto limitado. Para 54% das empresas consultadas, as ações terão pouca eficácia para reduzir os custos do transporte nos próximos meses. Outros 16% consideram as medidas ineficazes, enquanto 27% acreditam que elas terão efeito moderado e apenas 3% avaliam que serão efetivas.
Segundo Rafael Sales Rios, também há preocupação entre os empresários com os impactos fiscais das medidas. “Se essas ações forem pouco eficazes, surge o questionamento sobre a conveniência de ampliar os gastos públicos nesse contexto. Afinal, isso pode se traduzir, no futuro, em aumento de impostos ou até na criação de novos tributos”, pondera.
Tributação também pressiona os custos
Além dos efeitos da guerra no Oriente Médio, os empresários apontaram outros fatores que contribuíram para o aumento dos custos no período. Entre eles, destacam-se a tributação sobre o setor (36%), custos com fornecedores e serviços logísticos (26%), fiscalização ou regulação do transporte (25%) e gastos com mão de obra (24%).
A CNI destaca que é fundamental que o governo tome medidas eficazes para mitigar os efeitos da guerra no Oriente Médio e reduzir os custos de transporte para as empresas industriais brasileiras. Além disso, é necessário que haja uma fiscalização mais rigorosa sobre o setor para evitar abusos e garantir que os benefícios sejam repassados aos consumidores finais.
É importante lembrar que o aumento dos custos de transporte pode ter impactos significativos na economia brasileira, incluindo a inflação e a perda de competitividade das empresas industriais. É fundamental que o governo e os empresários trabalhem juntos para encontrar soluções para esse problema e garantir a sustentabilidade das empresas industriais brasileiras.
