Centro-Oeste: umidade acelera a semeadura
Na primeira quinzena de outubro, a chuva foi a principal variável que influenciou as lavouras brasileiras. No Centro-Oeste, a recuperação da umidade do solo favoreceu os cultivos de verão. Em Mato Grosso, a semeadura da soja avançou em todas as macrorregiões, já ultrapassando 60% da área prevista, permitindo que os produtores acelerassem os trabalhos. Em Goiás, as condições variaram: no sudoeste, o plantio avançou e deve terminar em outubro; no sul, alguns municípios intensificaram os trabalhos, enquanto outros pararam porque o solo secou rapidamente após o preparo. Em Mato Grosso do Sul, a alta umidade do solo obrigou a paralisação temporária da semeadura da soja na maior parte das regiões produtoras, com exceção do norte e do nordeste, onde a chuva mais esparsa permitiu a continuidade dos trabalhos.
Sul: excesso de chuva prejudica trigo e atrasa outras lavouras
No Paraná, a colheita do trigo já atingiu 75% da área plantada, mas a qualidade foi prejudicada pelo excesso de chuva, com peso hectolítrico (PH) abaixo do esperado. A soja, já plantada, apresenta boa aparência na maioria das lavouras, porém o excesso de umidade pode causar falhas de germinação, plantas daninhas, pragas e doenças. Em lavouras de milho primeira safra, granizo e ventos causaram desfolha em pontos específicos e aumentaram a presença de pragas como lagartas e tripes.
No Rio Grande do Sul, a colheita do trigo está lenta devido à chuva intensa e à menor luminosidade, e a maior parte das lavouras está em enchimento de grãos e maturação, fase sensível a doenças da espiga. Os produtores de soja aguardam a redução do encharcamento e dias secos para acelerar o plantio. O arroz tinha cerca de 40% da área prevista semeada na primeira quinzena de outubro, com chuva forte e solo saturado elevando custos e prejudicando o desenvolvimento inicial. Mais de 80% da área de milho primeira safra já foi plantada, mas a nebulosidade persistente, as temperaturas amenas e a alta umidade aumentam a pressão de doenças.
Em Santa Catarina, o segundo maior produtor nacional de arroz, a semeadura chegou a pouco mais da metade da área prevista, com o clima atrapalhando o plantio e o crescimento inicial. A chuva contínua também aumenta o risco de doenças fúngicas no trigo, como giberela, ferrugens, oídio e manchas foliares, principalmente nas lavouras mais adiantadas.
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Outras regiões
Em São Paulo, a qualidade do trigo colhido está abaixo do padrão da indústria moageira em boa parte do grão, e o excesso de umidade dificulta o acesso das máquinas às lavouras. Em Minas Gerais, a semeadura da soja avança em áreas de sequeiro. Em partes do Norte e do Nordeste, a chuva baixa atrasou o plantio da soja. Segundo a Conab, os índices de vegetação estão acima da média histórica em todas as regiões monitoradas.
O Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 23 de outubro e elaborado em parceria com o Inmet, Inpe e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (GLAM), mostra que a precipitação tem efeitos opostos em cada região, exigindo ajustes rápidos nos planos de manejo. Para os produtores, a variação de condições climáticas implica em custos adicionais e em maior risco de perdas, enquanto o mercado deve se preparar para possíveis impactos na oferta de grãos nos próximos meses. O acompanhamento contínuo das tendências climáticas e a adoção de tecnologias de manejo de risco serão cruciais para mitigar os efeitos adversos e garantir a estabilidade da produção agrícola brasileira.
