Introdução
Com a chegada da primavera, o calendário brasileiro ganha mais um marco de reflexão: o Dia Florescer da Autoestima da Mulher, celebrado em 21 de setembro. Criado pelo Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), o evento busca ampliar a compreensão da autoestima feminina, destacando que ela vai além da aparência e abrange autonomia, informação e condições para escolhas de vida.
Desenvolvimento
O CMEC mantém laços com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), consolidando uma rede que apoia a iniciativa em todo o país.
O contexto do Florescer ganha urgência diante dos alarmantes índices de violência contra mulheres. Uma pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, revelou que 54% das brasileiras que já tiveram relacionamento com homens afirmam ter sofrido pelo menos uma das formas de violência previstas na Lei Maria da Penha. O levantamento contou com 1,5 mil participantes, de 16 anos ou mais, em todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026.
O estudo destaca ainda que, quando questionadas de maneira genérica, apenas 34% das mulheres reconhecem ter sofrido violência de parceiro ou ex-parceiro. Esse número sobe para 54% quando as situações específicas da Lei Maria da Penha são apresentadas, evidenciando lacunas no reconhecimento e na denúncia.
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Para Ana Cláudia Cotait, presidente do CMEC, o Florescer é um convite para discutir autonomia econômica e acesso à informação. “Ter renda, trabalho, educação, acesso a crédito e conhecimento sobre direitos não elimina a violência, mas amplia as possibilidades de escolha e facilita a busca por ajuda e proteção”, explica.
“O dia Florescer é um convite para lembrar que a autoestima vai muito além da aparência, é também ter autonomia, informação e condições para escolher. Falar da autoestima também é falar de transformar vidas e mudar esse quadro. Quando uma mulher conhece seu valor e tem condições para decidir, ela pode pedir ajuda e recomeçar. É isso que o Florescer representa para nós”, conclui a presidente.
Maioria da população e do eleitorado
O debate sobre autonomia se intensifica num país onde as mulheres são maioria na população e no eleitorado. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil contava com cerca de 104,5 milhões de mulheres, representando 51,5% da população. Nas Eleições 2026, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que as mulheres constituem 52,84% do eleitorado apto a votar. Esses números ressaltam a importância de garantir a presença feminina nos espaços de poder, liderança e tomada de decisão.
O Florescer da Autoestima da Mulher nasceu em São Paulo e agora faz parte de uma iniciativa de alcance nacional do CMEC. Ao associar o simbolismo da primavera ao fortalecimento da autoestima, a proposta visa construir condições que permitam às mulheres exercer maior autonomia nas esferas pessoal, profissional e social.
