Em julho de 2026, a Serasa Experian divulgou que 9,2 milhões de empresas brasileiras tiveram suas contas negativadas, acumulando R$ 238,6 bilhões em dívidas não pagas. O levantamento, que abrange 67,2 milhões de contas vencidas, destaca o setor de serviços como o mais afetado, enquanto a Região Sudeste lidera o cenário com mais de 3,1 milhões de CNPJs em atraso.
Micro e Pequenas Empresas São o Maior Impacto
Os dados revelam que micro e pequenas empresas representam 8,7 milhões dos CNPJs negativados, carregando 60,5 milhões de dívidas que somam R$ 206 bilhões. Em média, cada um desses negócios acumulou 6,9 contas negativas, com dívida média de R$ 23 574,33 e ticket médio de R$ 3 403,77.
Em contrapartida, a média geral de empresas inadimplentes atingiu 7,3 contas negativadas, com dívida média de R$ 25 983,88 e ticket médio de R$ 3 551,59.
Setores que Devem e Perfil das Dívidas
Do total de empresas com contas negativas, 55,8% pertencem ao setor de Serviços, seguido por Comércio (32,1%), Indústria (8,0%) e Primário (1,0%).
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Quanto à origem das dívidas vencidas, Serviços lidera com 31,7%, Bancos/Cartões (19,7%) e Cooperativas (8,5%). Outras categorias incluem Utilities (6,9%) e Telefonia (6,2%).
As instituições financeiras, englobando “Bancos/Cartões” e “Financeiras”, concentram 24,3% das pendências, enquanto 75,7% permanecem fora desse grupo.
Recorte Regional
A Região Sudeste registrou o maior volume de empresas inadimplentes, com São Paulo liderando com 3 147 102 CNPJs em dívida, seguido por Minas Gerais (915 410) e Rio de Janeiro (870 189). Paraná e Rio Grande do Sul também apresentam números expressivos, com 607 497 e 533 041 empresas, respectivamente.
Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas
O indicador mede o número de empresas que possuem pelo menos um compromisso financeiro vencido e não pago, com base nas notificações registradas até o último dia do mês de referência. Empresas são consideradas inadimplentes quando o credor comunica formalmente a falta de pagamento.
Esses números apontam para um cenário de crédito mais apertado, especialmente para micro e pequenas empresas que já enfrentam desafios de liquidez. O aumento das dívidas em serviços sugere pressões sobre a demanda e a capacidade de investimento desses negócios, enquanto a predominância de dívidas fora do setor financeiro pode indicar dificuldades em renegociar contratos ou encontrar linhas de crédito mais favoráveis.
Para mitigar o risco de inadimplência em massa, é fundamental que bancos e fintechs revisem seus critérios de crédito, oferecendo condições diferenciadas para empreendedores que demonstram boa gestão, além de incentivar programas de capacitação financeira. O governo, por sua vez, pode considerar a expansão de linhas de apoio, como o Programa Emergencial de Apoio à Microempresa (PEA), para evitar que a crise se transforme em um colapso sistêmico.
Em suma, a alta de 9,2 milhões de CNPJs negativados sinaliza um alerta para o ambiente econômico brasileiro, exigindo ações coordenadas entre setor público e privado para garantir a sustentabilidade das empresas e a estabilidade do mercado de crédito.
