Empresários industriais enfrentam desafios financeiros
Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que cerca de 45% dos empresários industriais esperam aumento do endividamento bancário nos próximos três meses. Esse cenário é reflexo da pressão sobre o capital de giro em um ambiente de juros ainda elevados, segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso.
A análise da especialista indica que a demanda por financiamento reflete a necessidade de recorrer ao crédito para custear despesas operacionais e manter o fluxo de caixa. Além disso, a tendência é de crescimento do passivo das empresas, diante da maior necessidade de recorrer ao crédito para financiar o ciclo operacional, manter estoques e obter mais prazo junto aos fornecedores.
Financiamento de contas a receber
Mais da metade (51%) das empresas consultadas projeta aumento da necessidade de recorrer a financiamentos com contas a receber como garantia nos próximos três meses. Isso está associado, principalmente, ao risco de inadimplência ou de atrasos nos pagamentos por parte dos clientes.
Além disso, 45% dos industriais esperam alta nos juros cobrados pelos bancos nessas operações, o que pode afetar negativamente a rentabilidade das empresas.
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Financiamento de estoques
A pesquisa também mostra que 48% dos empresários preveem maior necessidade de financiamento para manter estoques de insumos e mercadorias nos próximos três meses. Isso pode ser reflexo de fatores como aumento do tempo de venda e maiores custos de carregamento.
Ao todo, 45% dos respondentes acreditam que os juros cobrados nessas operações também vão subir.
Financiamento das contas a pagar
Entre os industriais consultados, 59% esperam aumento da procura por crédito para financiar contas a pagar nos próximos três meses. Isso pode ser reflexo de pressões sobre o fluxo de caixa e da dificuldade de compatibilizar os pagamentos aos fornecedores com o ritmo de recebimento pelas vendas.
Mais da metade das empresas (52%) acredita que os juros dessas operações deverão subir.
Margens menores e repasse aos preços
O estudo também revela que 64% dos industriais esperam redução da margem líquida dos negócios, indicador que mede a relação entre lucro e faturamento. Para compensar a perda de rentabilidade, 51% das empresas pretendem elevar os preços de venda nos próximos três meses.
Na avaliação da analista da CNI, a manutenção de juros elevados por um período prolongado reduz o dinamismo da indústria, enfraquece a geração de emprego e renda e limita o crescimento da economia.
A CNI alerta que a reversão desse cenário depende de uma redução sustentável do custo do crédito e de uma condição de acesso ao crédito para capital de giro e investimentos.
Para Maria Virginia Colusso, a principal medida para mudar esse quadro é uma redução sustentável do custo do crédito, que precisa vir acompanhado de uma condição de acesso ao crédito para capital de giro e investimentos, para que o financiamento volte a cumprir a sua função produtiva.
