A participação de bens importados no consumo brasileiro atingiu um patamar sem precedentes, alcançando 28,3% em 2025, segundo o estudo Coeficientes de Abertura Comercial (CAC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice subiu 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior, marcando o maior nível da série histórica.
Esse aumento reflete um cenário de produção industrial doméstica estável, mas com demanda interna mais lenta, enquanto a valorização do real ao longo do ano ampliou a competitividade dos produtos estrangeiros no mercado interno.
Destaca-se ainda a participação dos produtos chineses no consumo da indústria de transformação, que atingiu 10,3%, recorde também. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos setores de equipamentos de informática e eletrônicos, além de têxteis.
Para Constanza Negri, superintendente de Comércio e Integração Internacional da CNI, os resultados apontam para a necessidade de uma agenda estratégica que combine o fortalecimento da competitividade industrial nacional com instrumentos de política comercial e defesa comercial alinhados à política externa. “É preciso trabalhar em uma agenda de mão dupla. Por um lado, monitorar e acompanhar o avanço das importações e fortalecer a defesa comercial para garantir uma concorrência justa para as empresas brasileiras. Por outro lado, trabalhar na abertura e na diversificação desses mercados, agregando maior valor nas exportações brasileiras”, afirmou.
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Importação de insumos industriais também bate recorde
A participação de insumos industriais importados na produção das fábricas brasileiras atingiu 25,8% em 2025, estabelecendo um novo recorde pela segunda vez consecutiva. Em 2024, o setor já havia registrado o maior patamar da série histórica.
O consumo de insumos importados cresceu 4,6% no ano passado, enquanto o de insumos nacionais avançou apenas 0,4%, evidenciando o crescente uso de componentes e matérias-primas estrangeiros pela indústria brasileira.
Exportações da indústria avançam
O coeficiente de exportação da indústria de transformação voltou a crescer em 2025, subindo de 18,9% para 20%. Isso significa que, em cada R$ 5 produzidos pelo setor, R$ 1 foi destinado às exportações.
O avanço refletiu um crescimento de 5,9% nas exportações, em um cenário de estabilidade da produção industrial. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, representando 3,3% do valor da produção do setor. Seguem a União Europeia (2,5%), China (2,4%) e Argentina (1,8%).
Apesar do aumento no uso de insumos importados, o coeficiente de exportações líquidas manteve-se positivo e estável em 9,6%. Entre os 20 setores analisados pela CNI, 11 apresentaram saldo positivo, destacando-se celulose e papel, metalurgia e madeira. Os nove demais registraram resultados negativos, incluindo equipamentos de informática e eletrônicos, produtos químicos e têxteis.
Em síntese, os números de 2025 revelam uma indústria brasileira cada vez mais aberta ao comércio internacional, mas que precisa equilibrar a dependência de insumos importados com o fortalecimento de sua competitividade e capacidade de exportação. A política industrial e comercial deve, portanto, buscar não apenas a abertura, mas também a diversificação e o aumento de valor agregado nas exportações, garantindo a sustentabilidade do setor no cenário global.
