Incêndios Florestais e El Niño: Alerta para o Segundo Semestre
Os incêndios florestais no Brasil continuam a ser um problema grave, com mais de 29.618 focos registrados em 2026, de acordo com os dados da plataforma Terra Brasilis, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os estados de Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Maranhão e Pará concentram os maiores números, somando mais de 18 mil ocorrências.
A preocupação para os próximos meses está relacionada também à evolução do El Niño, um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. O Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, publicado pelo Inpe, aponta que o fenômeno está se fortalecendo e há mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/27.
Os especialistas apontam que o El Niño pode criar condições mais favoráveis para a propagação das queimadas e que, na maior parte das situações, o início do fogo está relacionado à ação humana. A meteorologista Andrea Ramos explica que o fenômeno atua principalmente sobre as condições ambientais que determinam o grau de secura da vegetação e a facilidade de propagação das chamas.
O risco de queimadas ao longo do trimestre não está restrito a uma única região, segundo o consultor climático e meteorologista Francisco de Assis. Condições de queimadas podem ocorrer tanto no centro do Brasil como também em parte da Região Norte, no interior do Nordeste, na Bahia. Além de Minas Gerais, Tocantins, Amazônia, Rondônia, Acre e Mato Grosso, são estados propícios às condições de queimadas e incêndios durante esse período do segundo semestre.
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A meteorologista Andrea Ramos destaca que o cenário exige atenção especial para o Centro-Oeste e áreas do Nordeste, além do Cerrado, e as regiões leste e sul da Amazônia, sobretudo durante a fase mais crítica da estação seca – entre agosto e outubro.
O Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027 aponta, ainda, 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027, com altas chances de ocorrência de um El Niño muito forte entre a primavera e o início do verão de 2026.
Previsões para o Futuro
Os especialistas apontam que os efeitos do El Niño podem continuar em 2027, principalmente sobre as temperaturas, a distribuição das chuvas e a disponibilidade hídrica. No entanto, a permanência dos efeitos climáticos do fenômeno não significa que “o maior pico de queimadas ficará para o próximo ano”, afirma Andrea.
“De forma geral, o cenário exige atenção, porque estamos combinando uma estação seca, já naturalmente favorável às queimadas, com o El Niño em fortalecimento e temperaturas acima da média. O risco maior não está em um único fator isolado, mas na sobreposição entre calor, baixa umidade, ausência prolongada de chuvas, vegetação seca e o vento”, diz a meteorologista.
Conclusão
Em resumo, os incêndios florestais no Brasil são um problema grave e a evolução do El Niño pode criar condições mais favoráveis para a propagação das queimadas. Os especialistas apontam que o cenário exige atenção especial para o Centro-Oeste e áreas do Nordeste, além do Cerrado, e as regiões leste e sul da Amazônia, sobretudo durante a fase mais crítica da estação seca – entre agosto e outubro.
É fundamental que as autoridades tomem medidas para prevenir e combater os incêndios florestais, e que a população esteja alerta e tome medidas para evitar a propagação das chamas.
