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Mundo

Descarbonização do transporte marítimo entra na agenda da indústria e do governo

Last updated: 2026/08/06 at 3:36 AM
O Divergente / Brasil Importador Published agosto 5, 2026
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Descarbonização do transporte marítimo entra na agenda da indústria e do governo
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Índice
Etanol é apontado como alternativa para descarbonizar a navegação Eficiência energética e regras internacionais entram no centro do debate

A busca por alternativas aos combustíveis fósseis no transporte marítimo esteve no centro das discussões promovidas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ministério da Defesa e a Bioenergia Brasil, nesta terça-feira (4). O encontro reuniu representantes do governo, da indústria e do setor produtivo para debater iniciativas e políticas públicas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa na navegação, com foco na competitividade da economia brasileira e na ampliação de oportunidades para os biocombustíveis nacionais.

 

O debate ocorre enquanto o Brasil participa das discussões na Organização Marítima Internacional (IMO) sobre a descarbonização do setor. Como aproximadamente 96% das mercadorias exportadas pelo país, em toneladas, são transportadas pelo modal marítimo, representantes da indústria defendem que a transição energética considere as características da economia brasileira e preserve a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional.

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Para o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, a redução das emissões no transporte marítimo passa pela busca de alternativas ao uso dos combustíveis fósseis. “Esse evento trata de descarbonização de combustíveis marítimos através do emprego de biocombustíveis, juntamente com o combustível fóssil. Sabemos que, atualmente, o uso de combustível fóssil, motor e navegação marítima ocupam significativa magnitude no processo de transição energética global. Precisamos então encontrar alternativas ao seu uso, no sentido de reduzir a pegada de carbono nesse modal de transporte e, consequentemente, diminuir a emissão de carbono diretamente na atmosfera”, afirmou o ministro.

 

O comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, destacou a relevância estratégica do transporte marítimo para o comércio exterior brasileiro e a necessidade de políticas públicas voltadas ao setor. “97% das nossas trocas comerciais são realizadas por via marítima. Isso implica uma série de consequências que têm que estar na agenda política do país e devem gerar políticas públicas concernentes”, disse.

 

Durante o evento, especialistas também discutiram o papel dos biocombustíveis na descarbonização da navegação e os desafios para conciliar sustentabilidade, inovação e competitividade no comércio marítimo internacional. As discussões se concentraram em painéis dedicados ao uso do etanol como combustível marítimo e aos impactos das novas regras internacionais sobre a competitividade da indústria brasileira.

 

Segundo o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o debate sobre a descarbonização do transporte marítimo está diretamente ligado ao futuro da indústria brasileira. Ele destacou que, embora a participação da manufatura no Produto Interno Bruto (PIB) tenha caído de 26% para cerca de 11%, setores como a agroindústria, a mineração e petróleo e gás elevaram a participação da indústria para aproximadamente 24% do PIB, reforçando a importância de políticas que preservem a competitividade do país.

 

“Então, quando nós estamos aqui discutindo o transporte marítimo, a gente está discutindo o futuro do Brasil. Esses 24% do PIB geram 35% de tudo que o governo federal arrecada. Ou seja, eu sempre digo: no momento em que se fecha uma indústria, na verdade está se fechando uma escola ou um posto de saúde”, afirmou Muniz.

 

Etanol é apontado como alternativa para descarbonizar a navegação

 

O potencial do etanol brasileiro como combustível para o transporte marítimo foi um dos temas debatidos durante o painel “Etanol como combustível na descarbonização da navegação – visão dos produtores”. Representantes do setor defenderam que a expansão dos biocombustíveis pode contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa na navegação e, ao mesmo tempo, ampliar a competitividade do Brasil em um mercado em transformação.

 

Para o CEO da Copersucar, Tomás Manzano, fatores geopolíticos influenciam o ritmo da transição energética, mas também tornam os biocombustíveis mais competitivos em relação aos combustíveis fósseis.

 

“Que efeito a gente pode ter no desenvolvimento dessa solução desse mercado em função de questões geopolíticas? Eu diria que os efeitos são menos da direção, porque esta é uma indústria de difícil descarbonização, e mais da velocidade de escalar esta solução do presente para o futuro”, explanou.

 

“Em momentos em que a gente vive conflitos geopolíticos, onde os combustíveis fósseis são de alguma maneira afetados em preço, como é o caso vivido por nós recentemente, a gente tem, sem dúvida, uma maior atratividade dos biocombustíveis, uma maior atratividade econômica quando comparado a essa equação”, complementou Manzano.

 

Eficiência energética e regras internacionais entram no centro do debate

 

O segundo painel do encontro discutiu como conciliar a redução das emissões com a competitividade do transporte marítimo. Especialistas defenderam que o avanço para combustíveis de menor impacto ambiental deve ser acompanhado por ganhos de eficiência energética e por mecanismos internacionais que não imponham desvantagens aos países exportadores.

 

O Head de Vendas da Wärtsilä, Mario Barbosa, destacou que a busca por maior eficiência operacional já faz parte das estratégias adotadas pelo setor e pode potencializar os resultados da transição energética. “A gente sempre priorizou a eficiência energética para consumir menos combustível, trazer competitividade para os nossos clientes e também a questão de emissões. Então, quando você traz eficiência energética com novos combustíveis, o resultado é menos emissões de CO₂ e outros gases também”, enfatizou o head de vendas.

 

Na avaliação do Maritime Affairs Manager da Vale, João Arantes, as discussões em andamento na Organização Marítima Internacional (IMO) precisarão considerar as características do comércio exterior de cada país para evitar impactos sobre a competitividade.

 

“Eu gostaria de pensar um aspecto aqui que é fundamental e que será decisivo para a competitividade do Brasil nas próximas décadas. São esses mecanismos econômicos que estão sendo discutidos na IMO para promover a descarbonização do transporte marítimo. A questão central é como garantir que esses mecanismos econômicos criados para reduzir emissões não acabem transferindo competitividade entre países por fatores que não estão relacionados à eficiência ambiental, mas à geografia, à distância dos mercados consumidores ou ao perfil das cargas transportadas”, pontuou o representante da Vale.

 

Pixel Brasil 61

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