Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo realiza mobilização emergencial após confirmação de casos da doença em crianças menores de dois anos na Zona Norte da capital paulista
Na última semana, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo aplicou 5.314 doses da vacina contra o sarampo em crianças e adultos na Zona Norte da capital paulista. A ação foi realizada em resposta à confirmação de três casos da doença em crianças menores de dois anos na região. A vacinação foi realizada em unidades de saúde e em locais de grande circulação, como feiras, supermercados e praças.
Das doses aplicadas, 220 foram destinadas à população de 6 a 11 meses e 29 dias, que receberam a “dose zero” da vacina tríplice viral. As outras 5.094 doses foram destinadas à população de 12 meses a 59 anos, com 3.032 doses aplicadas por equipes de vacinação itinerante em bairros da Zona Norte.
A Secretaria Municipal da Saúde destaca que a dose zero é uma estratégia adicional de proteção e não substitui o esquema regular do Calendário Nacional de Vacinação. Portanto, mesmo após receber a dose entre 6 meses e 11 meses e 29 dias, a criança deve tomar a primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e a segunda, preferencialmente com a vacina tetraviral, aos 15 meses.
Além de proteger contra o sarampo, a tríplice viral também previne caxumba e rubéola, enquanto a tetraviral amplia essa proteção ao incluir a varicela (catapora). A cobertura vacinal da tríplice viral no município já alcança cerca de 100% para as duas doses em 2026, índice superior à meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
- Publicidade -
Estado de São Paulo intensifica vigilância diante do aumento de casos no exterior
Além da aplicação da dose zero, o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (CVE-SP) adotou uma série de medidas para reduzir o risco de reintrodução do vírus no estado. Em razão do aumento do fluxo internacional de passageiros durante a Copa do Mundo de 2026, foram intensificadas as ações de vacinação em aeroportos, terminais rodoviários, estações de metrô e trens.
A preocupação é motivada pela alta circulação do vírus nos países-sede do torneio. Nos Estados Unidos, foram registrados 2.288 casos em 2025 e outros 2.104 até 20 de junho de 2026. No Canadá, após 5.075 casos no ano passado, já são 1.073 neste ano. No México, a situação é ainda mais preocupante: o país passou de apenas sete casos em 2024 para 6.586 em 2025 e 11.771 em 2026.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, as ações buscam interromper rapidamente possíveis cadeias de transmissão e reduzir o risco de entrada do vírus no estado por meio dos municípios de São Paulo e Guarulhos, onde está localizado o Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Risco de novas epidemias
Professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia, a infectologista Raquel Stucchi afirma que o Brasil corre risco de voltar a enfrentar epidemias de sarampo devido à cobertura vacinal insuficiente em parte do país. Dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, a cobertura nacional foi de 92,68% para a primeira dose e de 78,04% para a segunda, ambas abaixo da meta de 95%.
“O risco existe, principalmente neste momento de grande deslocamento de pessoas em função da Copa do Mundo e do retorno de brasileiros que foram para os Estados Unidos, Canadá e México, caso não estejam adequadamente vacinados”, alerta.
A especialista reforça que a vacinação com a tríplice viral é a forma mais eficaz de prevenção e possui eficácia amplamente comprovada.
A vacinação contra o sarampo é oferecida de segunda a sexta-feira em todas as 482 UBSs da capital, das 7h às 19h. Aos sábados, o imunizante também está disponível nas AMAs/UBSs Integradas, no mesmo horário. A população pode encontrar a unidade mais próxima pela plataforma Busca Saúde.
