O que é o Repente
O Repente surge como um diálogo poético em que dois cantadores se alternam, improvisando estrofes sobre o cotidiano. Rima e ritmo são os pilares dessa manifestação, que se apresenta em casas, feiras, praças e festivais. Cada verso é construído em tempo real, exigindo métrica precisa, rimas criativas e mensagens que dialogam com a audiência.
Reconhecimento oficial
Em novembro de 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou o Repente como Patrimônio Cultural do Brasil, inserindo-o no Livro de Registro das Formas de Expressão junto a Roda de Capoeira e Choro. Esse marco oficial abre caminho para políticas públicas de preservação e valorização da tradição.
Origem e evolução
Os primeiros registros datam do século XIX em Pernambuco e na Paraíba, especialmente na Serra do Teixeira (PB). No início do século XX, o Repente contribuiu para a popularização do rádio na região, sendo praticado majoritariamente por cantadores rurais. A partir da década de 1950, a migração para as cidades buscou novas plataformas de divulgação, como rádio e correio. Nas décadas de 1980 e 1990, surgiram gravações em disco e festivais, enquanto a internet, nas últimas décadas, ampliou ainda mais a visibilidade da arte.
Processo de registro
O pedido de registro foi apresentado ao Iphan em 2013 pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal (Acrespo). A partir daí, o Instituto iniciou pesquisas e documentações, culminando em um dossiê técnico elaborado em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). O estudo detalha a história, características e relevância cultural do Repente.
- Publicidade -
Preservação digital
A plataforma digital Bem Brasileiro, do Iphan, abriga mais de 2 mil itens relacionados ao patrimônio cultural, incluindo pedidos de registro, pareceres técnicos e ações de monitoramento. O site disponibiliza materiais por estado e facilita o acesso a documentos que documentam manifestações como o Repente.
O reconhecimento do Repente como Patrimônio Cultural não apenas celebra uma tradição viva, mas também consolida a importância da oralidade e da improvisação como veículos de identidade regional. Ao assegurar recursos e políticas de apoio, o Iphan garante que futuras gerações possam ouvir, participar e continuar a tradição de versos que refletem a alma nordestina.
