Introdução
Na quarta-feira (9), o Ministério da Saúde inaugurou uma nova base de resposta a emergências sanitárias na cidade do Rio de Janeiro, reforçando a capacidade de atendimento em situações de calor extremo, enchentes e outros desastres climáticos que se intensificam com o avanço do El Niño.
A nova base no Rio de Janeiro
Localizada na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na Glória, a unidade faz parte da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN‑SUS). Equipamentos de comunicação via satélite, drones, veículos e um posto médico avançado permitem que a base cubra estados e municípios de toda a Região Sudeste, com a possibilidade de ampliar o atendimento em colaboração com equipes estaduais e municipais.
Com a instalação, o Rio de Janeiro torna-se a terceira base do tipo no país, ao lado de Porto Alegre (RS) e Salvador (BA). O Ministério planeja abrir mais seis pontos em diferentes regiões até o final do ano, todos integrados aos Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), que coletam dados ambientais, climáticos e demográficos para antecipar ações de vigilância e resposta.
Riscos do El Niño para o país
O fenômeno climático tem sido projetado para provocar temporais, chuvas intensas e ondas de calor no Sudeste, enquanto outras regiões enfrentarão seca, incêndios e inundações. De acordo com o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA), há 90 % de probabilidade de um episódio muito forte de El Niño entre setembro e novembro.
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O boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta temperaturas acima da média em quase todo o território, chuvas superiores à histórica na Região Sul e um trimestre mais seco no Norte e Nordeste, aumentando o risco de queimadas, especialmente se a estação chuvosa atrasar.
Impacto na saúde pública
Segundo uma nota técnica da Fiocruz, enchentes, secas e incêndios geram efeitos imediatos e prolongados, desorganizando serviços de saúde, deslocando populações e ampliando a exposição a agentes infecciosos e ambientais. A resposta deve envolver uma agenda preventiva conjunta entre SUS, Defesa Civil, saneamento e assistência social.
A instalação da base no Rio de Janeiro atende às recomendações da Universidade de Oxford, que destaca a vulnerabilidade de grandes cidades a ondas de calor. No Brasil, 11 dos 15 municípios com mais de um milhão de habitantes foram classificados como vulneráveis ao problema.
Conclusão
Com a nova base de saúde, o governo brasileiro demonstra um compromisso proativo em reduzir o tempo de resposta a emergências sanitárias provocadas por eventos climáticos extremos. A integração com os Cisc e a expansão planejada de mais seis pontos no país reforçam a estratégia de vigilância e ação coordenada, essencial para proteger a população diante do crescente impacto do El Niño e das mudanças climáticas.
