Introdução
Na última sexta-feira (28), o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) divulgou pesquisas que revelam um cenário divergente entre dois dos principais termômetros de confiança no varejo e no setor de serviços do Brasil. Enquanto o Índice de Confiança de Serviços (ICS) subiu 1,2 ponto, alcançando 89,0 pontos em agosto, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou 1,3 ponto, atingindo 84,2 pontos.
Desenvolvimento
O ICS avançou 1,2 ponto em agosto, impulsionado por melhorias tanto no Índice de Situação Atual quanto no Índice de Expectativas. Na série com ajuste sazonal, o indicador atingiu 89,0 pontos, enquanto na média móvel trimestral a elevação foi de apenas 0,1 ponto, ficando em 89,2. O economista Stéfano Pacini do FGV Ibre destaca que o resultado reflete uma percepção mais otimista sobre o momento presente e expectativas um pouco melhores para os próximos meses, embora ressalte que a alta não se espalhou igualmente por todos os segmentos pesquisados.
Entre os fatores que sustentam a confiança no setor de serviços, o recente recuo da inflação e um mercado de trabalho resiliente desempenham papéis fundamentais. Entretanto, juros reais elevados e o endividamento das famílias continuam a frear uma recuperação mais robusta da atividade. O fenômeno El Niño também é apontado como risco, pois pode pressionar preços de alimentos e energia.
Em contraste, o ICOM registrou queda de 1,3 ponto em agosto, encerrando dois meses consecutivos de crescimento. O recuo atingiu quatro dos seis segmentos pesquisados. O principal fator negativo foi o Índice de Expectativas do Comércio, que caiu 2,7 pontos, refletindo uma piora na percepção sobre a tendência de negócios e vendas nos próximos meses. O Índice de Situação Atual teve leve alta de 0,3 ponto, chegando a 85,5, mas não foi suficiente para compensar as quedas acumuladas.
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Para Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, a piora na confiança do consumidor, o cenário de juros ainda altos e a expectativa de desaceleração da atividade econômica reforçam a cautela dos empresários, limitando uma melhora mais consistente da confiança ao longo do segundo semestre.
O que explica a diferença entre os setores
Enquanto os serviços colhem os efeitos de uma inflação em queda e de um mercado de trabalho ainda aquecido, o comércio sente mais intensamente o peso dos juros altos sobre o crédito e o consumo das famílias. Esses fatores ajudam a explicar por que os dois setores caminharam em sentidos opostos neste mês.
Conclusão
Em agosto, a confiança no setor de serviços mostrou sinais de recuperação, impulsionada por cenários macroeconômicos mais favoráveis, enquanto o comércio enfrentou desafios relacionados a juros elevados e expectativas de desaceleração. O panorama indica que o segundo semestre pode continuar marcado por cautela, especialmente no comércio, embora os serviços possam manter um crescimento mais estável se os fatores positivos persistirem.
