Intenção de investimento industrial recua em agosto
Em agosto, a intenção de investimento dos industriais brasileiros caiu 0,6 ponto, chegando a 52,6 pontos – o menor patamar registrado em 2026. Essa queda marca a terceira diminuição consecutiva do índice, que mede a disposição das empresas em investir em novos projetos e equipamentos. A divulgação veio da Sondagem Industrial, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Fatores que explicam a queda
Segundo Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, o cenário adverso se deve a três elementos principais: o elevado patamar das taxas de juros, o aumento significativo dos custos de produção desde o início da guerra no Oriente Médio e a forte entrada de produtos importados no mercado interno, que capturam parcela relevante das vendas que seriam destinadas à indústria local.
Queda das expectativas para os próximos meses
O mesmo levantamento indica que a menor disposição dos empresários se acompanhou de expectativas mais pessimistas para os próximos seis meses. Em agosto, a expectativa de quantidade exportada caiu 1,5 ponto, atingindo 49,5, enquanto a previsão de número de empregados recuou 0,7 ponto, para 49,4. Ambos os índices ficaram abaixo da linha de 50, sinalizando perspectivas de queda nas exportações e no emprego industrial.
O otimismo em relação à compra de insumos e matérias-primas também diminuiu: o índice de expectativa de compra de matérias-primas caiu 1,2 ponto, para 51,2, e a expectativa de demanda recuou 0,7 ponto, para 52,6. Apesar das quedas, os dois índices permanecem acima de 50, indicando ainda que as expectativas são positivas, embora menos fortes do que em julho.
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Nocko observa que a queda na expectativa de quantidade exportada pode estar relacionada, em parte, às tarifas adicionais impostas pelo mercado americano aos produtos brasileiros.
Estoques voltam a crescer, mas dentro do esperado
O índice de evolução do nível de estoques aumentou 1,7 ponto, passando de 49,3 para 51,0, marcando a primeira vez em 2026 que o indicador ultrapassou 50. Isso indica um aumento dos estoques de produtos finais após oito meses de queda. Ao mesmo tempo, o índice que compara o estoque efetivo ao planejado pelos empresários avançou 0,2 ponto, chegando a 50,2. O resultado sugere que, embora os estoques tenham crescido, esse aumento estava previsto pelos gestores.
A especialista interpreta o aumento como sinal de maior dificuldade para escoar os produtos no mercado doméstico, mas ressalta que o nível de estoques em relação ao planejado permanece alinhado com a linha de 50, mostrando que o crescimento foi planejado.
Produção industrial cresce em julho
A sondagem também revelou que a produção industrial cresceu em julho, com o índice avançando 2,6 pontos para 51,0. Foi apenas o segundo mês de 2026 em que o indicador apontou expansão da produção, sendo o outro em março. O índice de evolução do número de empregados subiu 0,4 ponto, atingindo 48,6, mas permaneceu abaixo de 50, indicando retração do emprego industrial em relação a junho.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) manteve-se estável em 70%, um ponto percentual abaixo dos valores registrados em julho de 2024 e 2025. Embora o crescimento da produção seja um sinal positivo, a CNI recomenda cautela, pois o emprego continua em queda e a UCI não atingiu níveis mais elevados.
Conclusão
O panorama apresentado pela CNI mostra um setor industrial enfrentando desafios significativos: juros altos, custos crescentes e competição de importações. Enquanto a produção registra sinais de recuperação, os indicadores de emprego, capacidade instalada e expectativas de mercado apontam para cautela. O próximo período será decisivo para avaliar se a indústria conseguirá superar esses obstáculos e retomar um ritmo de investimento mais robusto.
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