Recorde de Investimentos em Saneamento Básico em 2024: Um Passo em Direção às Metas de Universalização
O ano de 2024 foi marcado por um recorde de investimentos em saneamento básico no Brasil, com R$ 29 bilhões destinados à expansão e melhoria dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Embora o volume de recursos seja significativo, o índice de tratamento de esgoto permaneceu próximo de 52%. Esses dados são um reflexo da complexidade do desafio que o país enfrenta para alcançar as metas de universalização estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento Básico.
De acordo com o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), o Brasil precisa garantir água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% dos brasileiros até 2033. Embora os investimentos recentes tenham avançado significativamente, ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar essas metas.
Carlos Lebelein, especialista da LMDM Consultoria, destaca que a expansão do saneamento básico é um processo de longo prazo que envolve projetos de infraestrutura de grande escala, como a implantação e expansão de redes, construção de estações de tratamento e adequação dos sistemas existentes. Por isso, pode levar tempo para que os investimentos realizados ou contratados produzam efeitos nos indicadores de cobertura.
Além disso, o avanço do saneamento básico ocorre de maneira desigual entre estados e municípios, com regiões que ainda apresentam déficits elevados de infraestrutura demandando novos projetos e investimentos para ampliar o acesso da população aos serviços.
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Lebelein avalia que o crescimento do saneamento básico precisa ser observado também a partir do histórico do setor, que passou décadas registrando baixos níveis de investimento. Para alcançar as metas de universalização, o país precisará de grandes evoluções e um volume significativo de investimentos, que vão além do recorde de R$ 29 bilhões alcançado em 2024.
Estimativas citadas por Lebelein apontam que seriam necessários entre R$ 600 bilhões e R$ 900 bilhões para que o Brasil alcance as metas previstas para 2033. Além do volume de recursos, outro desafio será direcionar novos projetos para as regiões que permanecem com os maiores déficits de atendimento.
A ampliação da cobertura de esgoto tem efeitos que vão além da infraestrutura, relacionados à saúde pública, preservação ambiental e qualidade de vida, especialmente em localidades onde a população ainda não dispõe de coleta e tratamento adequados.
Para os próximos anos, Lebelein destaca que o desafio será manter o crescimento dos investimentos e fazer com que os recursos aplicados e os projetos já contratados avancem para a expansão efetiva dos serviços, reduzindo as desigualdades de acesso e aproximando o país das metas estabelecidas para 2033.
