Empresas brasileiras lutam para controlar finanças em tempo real
Um estudo recente realizado pela Conta Simples em parceria com a Visa revelou que quase dois terços das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para controlar as finanças em tempo real. De acordo com a pesquisa, 63% das empresas, o que equivale a 12,6 milhões de pequenas e médias empresas, enfrentam esse problema.
A falta de visibilidade e previsibilidade sobre as finanças continua sendo um desafio para muitas empresas. Embora o dinheiro entre e saia diariamente do caixa de 45% das empresas, a maioria delas não acompanha nem aprovam despesas em tempo real. Isso significa que as empresas estão tomando decisões baseadas em informações desatualizadas, o que pode levar a problemas financeiros.
A digitalização transformou a dinâmica da gestão financeira, mas exige mecanismos mais sofisticados de controle. O CEO e cofundador da Conta Simples, Rodrigo Tognini, afirma que a velocidade não justifica a perda de governança. “A maturidade financeira é definida pela capacidade de orquestrar e gerenciar transações em larga escala, independentemente de quão descentralizadas elas sejam”, disse.
Controle financeiro ainda é um desafio
A pesquisa também revelou que 60% das empresas não acompanham nem aprovam despesas em tempo real. Isso é um aumento de cinco pontos percentuais em relação a 2024. A digitalização resolveu o problema do “como pagar”, mas ampliou o desafio do “como acompanhar”. Quando o controle é feito apenas no fechamento do mês, o retrato financeiro já chega defasado, aumentando o risco de decisões baseadas em informações desatualizadas.
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A vice-presidente da Visa, Marcela Pinori, afirma que a expansão dos meios de pagamento digitais elevou o nível de governança exigido das empresas. “A tecnologia precisa funcionar como ferramenta de antecipação, não apenas digitalizar a transação, mas estruturar o fluxo e conectar pagamentos a regras claras de acompanhamento e controle para apoiar decisões estratégicas de crescimento”, disse.
Crédito ganha função estratégica
O estudo também mostra um papel estratégico do crédito dentro das empresas. Atualmente, 37% dos negócios já associam o uso de crédito a investimentos planejados, indicando que a gestão financeira deixa de cumprir apenas funções operacionais para apoiar decisões de crescimento. Para Tognini, o diferencial competitivo está na integração entre meios de pagamento e mecanismos de governança. “Transformar o fluxo financeiro em leitura contínua permite antecipação. Quem enxerga antes decide melhor — e isso se traduz em vantagem operacional”, concluiu.
