Indústria brasileira reivindica R$ 17 bilhões para financiar pesquisa e inovação
O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) prevê destinar mais de R$ 17 bilhões ao financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no Brasil em 2026. No entanto, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que esses recursos sejam liberados de forma mais ágil e que as empresas tenham acesso a políticas públicas de incentivo à inovação sem enfrentar obstáculos burocráticos.
Segundo a CNI, as micro e pequenas empresas (MPEs) enfrentam os maiores entraves para acessar instrumentos públicos de apoio à inovação, principalmente devido às exigências de garantias reais e à complexidade dos processos de financiamento. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que a burocracia para acessar instrumentos de fomento é um dos fatores que ampliam o Custo Brasil, que drena a capacidade de investimento das empresas e aumenta os preços dos produtos e serviços consumidos pelos brasileiros.
O que dizem os industriais
Uma pesquisa da CNI mostrou que 36% dos empresários industriais apontam o excesso de burocracia como o principal obstáculo para acessar políticas públicas de incentivo à inovação. O problema é mais intenso no Nordeste, onde 48% dos industriais identificam a burocracia como a principal barreira.
Desburocratização e crédito mais acessível
A CNI propõe uma desburocratização radical nas linhas de financiamento e a modernização dos processos de instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O objetivo é destravar o dinheiro já disponível, especialmente para startups e micro e pequenas empresas.
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Além disso, a CNI defende a redução ou flexibilização das exigências de garantias reais e a substituição por fundos garantidores de crédito. A intenção é que a concessão de financiamento passe a considerar principalmente o mérito técnico e o potencial tecnológico dos projetos, e não apenas o patrimônio da empresa.
Modelos mais flexíveis de financiamento
A CNI também afirma que os atuais mecanismos de fomento à inovação são excessivamente padronizados e pouco adaptados às diferenças regionais. A entidade propõe a substituição dos editais tradicionais por modelos de fluxo contínuo e a descentralização do financiamento da inovação por meio da criação de fundos regionais abastecidos com recursos provenientes de royalties e de outras obrigações regulatórias.
Compartilhamento do risco tecnológico
A CNI propõe que o governo e as instituições de fomento compartilhem parte do risco tecnológico dos projetos por meio da criação de fundos garantidores de crédito voltados às micro e pequenas empresas. O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Jefferson Gomes, reforça a necessidade da simplificação do acesso aos incentivos e da previsibilidade desses recursos para que empresas e pesquisadores possam planejar projetos de longo prazo.
