Próximo governo brasileiro enfrentará desafios fiscais
O próximo presidente eleito em outubro de 2026 deverá assumir um cenário fiscal desafiador, marcado por déficits primários recorrentes, dificuldades para cumprir as metas do arcabouço fiscal e uma trajetória crescente da dívida pública. Esse é o diagnóstico apresentado no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de junho, divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal.
De acordo com os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, as projeções para a evolução das principais variáveis econômicas e fiscais são consistentes, mesmo sem considerar eventuais reformas estruturais que possam ser implementadas nos próximos anos. A instituição levou em conta as incertezas provocadas pela alta dos preços do petróleo em razão dos conflitos no Oriente Médio, além da implementação da reforma tributária sobre o consumo, que deve ter impactos mais expressivos sobre as finanças de estados e municípios.
Crescimento moderado e juros elevados
O RAF projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,0% em 2026 e de 1,8% em 2027. Nos anos seguintes, a economia deve avançar, em média, 2,3% ao ano. A inflação é estimada em 5,0% em 2026, 4,0% em 2027 e 3,5% em 2028, com convergência para o centro da meta nos anos posteriores. Os juros reais devem permanecer elevados, com a taxa básica Selic recuando de 14% ao ano em 2026 para 12% em 2027, alcançando um patamar próximo de 8% no médio prazo.
Receitas e despesas
Pelas projeções da IFI, as receitas primárias líquidas devem corresponder a 18,9% do PIB em 2026 e a 18,7% em 2027, recuando gradualmente para cerca de 18,3% do PIB ao longo do horizonte analisado. O relatório prevê que a elasticidade entre receita e PIB caia do atual patamar de 1,4 para 1, significando que cada 1% de crescimento da economia deverá resultar em um aumento de 1% na arrecadação do governo.
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Já as despesas primárias devem passar de 19,2% do PIB em 2026 para 19,3% em 2027, atingindo 19,9% em 2032 e se estabilizando em torno de 19,4% do PIB nos anos seguintes.
A IFI alerta que a continuidade dos déficits primários efetivos e o aumento persistente da relação entre a dívida pública bruta e o PIB entre 2026 e 2036 podem se tornar insustentáveis no médio prazo. Para estabilizar a relação entre dívida e PIB, seria necessário gerar um superávit primário de 2,1% do PIB por ano.
Partindo de um endividamento bruto de 80,1% do PIB registrado em abril de 2026, a instituição projeta que esse indicador alcance 82,5% ainda neste ano, ultrapasse 100% em 2032 e atinja 115% do PIB em 2036.
A IFI busca contribuir para o debate sobre um dos principais desafios do próximo governo: o equilíbrio fiscal e suas implicações.
É importante lembrar que o cenário fiscal desafiador que o próximo governo brasileiro enfrentará é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a alta dos preços do petróleo, a implementação da reforma tributária e a continuidade dos déficits primários efetivos. É fundamental que o governo e o Congresso Nacional trabalhem juntos para encontrar soluções para esses desafios e garantir a sustentabilidade fiscal do país.
