Federação da Agricultura do Estado do Paraná denuncia veto da União Europeia à compra de proteínas brasileiras
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep) está cobrando celeridade máxima para o envio de informações à União Europeia que comprovem os rigorosos padrões sanitários da pecuária brasileira. O objetivo é evitar que produtos de origem animal sejam embargados pelo bloco europeu, o que poderia afetar negativamente a economia do Paraná e do Brasil.
Segundo a entidade paranaense, o veto anunciado pela União Europeia não condiz com o real status sanitário da pecuária nacional e estadual, inclusive com o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação. “O sistema FAEP vê com grande preocupação o fechamento do mercado de proteína para o Brasil e o Paraná. O Paraná conta com os estados sanitários de excelência e pode comprovar que pode enviar a sua carne para a União Europeia”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Entre carne de frango, ovos e material genético desses animais, o Paraná se destaca como um dos principais produtores e exportadores do país. A manifestação da FAEP ocorre após a Comissão Europeia formalizar o veto para a compra de proteínas brasileiras a partir de 3 de setembro.
A restrição atinge bovinos, aves, equídeos, peixes da aquicultura, mel e tripas. Em 2025, as vendas dessas proteínas para a UE geraram receita de US$ 1,8 bilhão, do total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para o bloco, segundo estatísticas do governo federal.
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Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), garante que o Brasil já cumpre com as exigências do mercado europeu, mas que o governo precisa agora comprovar a fiscalização. “Nossa produção de carne de frango é totalmente rastreada, tem traçabilidade em todo o seu processo de produção e essas drogas não são utilizadas na produção de frango que são exportados para a União Europeia. Também não são na carne bovina. Nós já cumprimos os requisitos e não há qualquer violação ou problema sanitário com as carnes brasileiras”, frisou.
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) ressaltou que colabora com as autoridades brasileiras e pontuou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, baseado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo, condição que permite exportar para mais de 170 países.
O assunto é tratado como prioridade nos ministérios responsáveis, como o das Relações Exteriores (MRE) e o do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que já realizam reuniões e negociações para tentar impedir a implementação da barreira comercial. Entre os negociadores brasileiros, há a percepção de que a medida possa ter sido motivada por pressões políticas do lado europeu, para proteger as produções locais que não são capazes de produzir tanto quanto a brasileira, mas a questão é tratada tecnicamente.
Uma missão europeia ao Brasil está prevista nos próximos meses para avanço e conclusão das conversas, motivado inclusive pela finalização do acordo com o Mercosul.
É importante lembrar que a economia do Paraná e do Brasil depende em grande parte da exportação de proteínas e que o veto da União Europeia pode ter consequências significativas para a economia nacional. É necessário que as autoridades brasileiras trabalhem em conjunto com as autoridades europeias para encontrar uma solução que atenda às necessidades de ambos os lados.
