Perdas de água no Brasil: um problema complexo e persistente
Enquanto cerca de 33 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, o país perde uma quantidade significativa de água tratada durante o processo de distribuição. De acordo com o “Estudo de Perdas de Água 2026 (SINISA, 2024): Desafios na Eficiência do Saneamento Básico no Brasil”, elaborado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) em parceria com a consultoria GO Associados, o Brasil perde 39,53% da água tratada durante o processo de distribuição. Isso significa que quase quatro em cada dez litros produzidos não chegam aos consumidores.
Os dados são alarmantes e demonstram a necessidade de uma abordagem mais eficiente e prioritária para a redução de perdas de água no Brasil. Segundo a presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, a evolução ocorre em ritmo insuficiente diante dos desafios enfrentados pelo país. “No ano passado tínhamos uma perda de 40,3%, mas esse número tem reduzido numa velocidade muito lenta, o que demonstra que a gente precisa ser mais eficiente e priorizar mais esse tema da redução de perdas de água, principalmente num cenário onde a gente tem crise hídrica, onde a gente tem ondas de calores, secas cada vez mais recorrentes”, considera.
Consequências da perda de água no Brasil
A perda de água no Brasil tem consequências graves para o meio ambiente, a economia e a saúde pública. Segundo o estudo, o volume desperdiçado seria suficiente para abastecer cerca de 77 milhões de brasileiros durante um ano. Isso corresponde a mais de um quarto da população do país em 2024 e supera em mais de duas vezes o contingente de pessoas sem acesso à água tratada, estimado em cerca de 33 milhões de habitantes.
Além disso, a perda de água também tem impactos econômicos significativos. Segundo Luana Pretto, o combate às perdas gera benefícios que vão além da preservação dos recursos hídricos. “Quando a gente reduz a perda, por exemplo, física, a gente capta menos água no rio, a gente usa menos produto químico para o tratamento, a gente usa menos energia elétrica para esse bombeamento da água, o que faz com que haja uma redução no custo operacional e uma melhor tarifa também paga pelo cidadão”, destaca.
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Desafios regionais e estruturais
A perda de água no Brasil é um problema complexo e persistente, com desafios regionais e estruturais significativos. Segundo o estudo, as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores desafios tanto na redução das perdas quanto nos indicadores de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. Alagoas lidera o ranking de perdas, com 66,90%, seguida por Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%).
Já entre os estados que apresentam os menores índices de perdas, destacam-se o Piauí (24,61%), Goiás (27,13%), Mato Grosso do Sul (30,60%) e Distrito Federal (31,55%).
Conclusão
A perda de água no Brasil é um problema complexo e persistente, com consequências graves para o meio ambiente, a economia e a saúde pública. É fundamental que o governo e as empresas de saneamento básico priorizem a redução de perdas de água e implementem soluções eficientes para abastecer a população. Além disso, é necessário investir em infraestrutura e tecnologia para melhorar a eficiência do sistema de saneamento básico e reduzir a perda de água no Brasil.
