Primavera 2026 já chegou ao país e promete mudanças no clima
A estação começou na noite desta terça-feira (22) e já indica que a maior parte do território brasileiro experimentará temperaturas superiores à média histórica, enquanto a distribuição das chuvas passa por ajustes significativos.
Essas informações vêm do Prognóstico Climático da Primavera de 2026, elaborado em parceria entre o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Com a transição do período seco para o chuvoso, especialmente no Brasil Central, o fluxo de umidade vindo da Amazônia tende a se intensificar, favorecendo a formação de chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e em parte do centro-sul da Região Norte.
Além disso, há a possibilidade de surgimento dos primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), um sistema meteorológico associado a períodos prolongados de chuva. Na Região Sul, a interação entre massas de ar térmicas distintas, frentes frias e áreas de baixa pressão pode desencadear chuvas intensas, rajadas de vento, descargas atmosféricas e até mesmo granizo. Esse cenário pode favorecer eventos de tempo severo, como microexplosões e tornados.
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Distribuição de chuvas no trimestre
Para o período entre outubro e dezembro, a previsão indica os maiores acumulados de chuva no oeste e sul da Região Norte, em toda a Região Centro-Oeste, na Região Sul e em partes do Sudeste.
Os volumes menores são esperados no Nordeste, sobretudo no leste e norte da região, que atravessa o período mais seco do ano. O extremo norte da Amazônia também apresenta baixas projeções.
Comparado à média climatológica, a previsão aponta anomalias de precipitação na Região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul e leste do Paraná, onde os acumulados podem ficar até 200 milímetros acima da média histórica do trimestre.
Chuvas acima da média também são previstas em Mato Grosso do Sul, no sul de Goiás, em São Paulo, no Rio de Janeiro, no centro-sul de Minas Gerais e no leste do Nordeste (Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas).
Em contrapartida, a precipitação deve ficar abaixo da média em grande parte da Região Norte, em Mato Grosso e na área agrícola do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). O déficit de chuva pode chegar a 200 milímetros em Roraima, no norte e leste do Amazonas, no norte e oeste do Pará e no Amapá.
Temperaturas acima da média
A previsão para outubro, novembro e dezembro também indica temperaturas superiores à média em grande parte do país. As maiores anomalias positivas devem ocorrer na Região Norte e em áreas do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, onde as temperaturas podem superar em 1°C a média climatológica.
Esse cenário pode favorecer ondas de calor e aumentar o desconforto térmico. A combinação de ar quente e úmido, especialmente durante a passagem de frentes frias, também pode contribuir para a formação de tempestades e outros eventos de tempo severo.
No Rio Grande do Sul, a previsão indica temperaturas próximas da média nas regiões central e leste, enquanto o oeste e o sul do estado devem registrar temperaturas abaixo da média.
El Niño e a influência na distribuição das chuvas
O prognóstico também considera a influência do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial. As projeções indicam elevada probabilidade de ocorrência de um evento de intensidade muito forte durante o trimestre OND de 2026.
O fenômeno altera os padrões de circulação atmosférica e pode modificar a distribuição das chuvas no Brasil. De forma geral, o El Niño está relacionado à redução das precipitações no Norte e no Nordeste e ao aumento dos volumes de chuva na Região Sul.
A previsão para a primavera apresenta características compatíveis com esse padrão, de acordo com a distribuição das anomalias de precipitação.
A atuação da ZCAS também pode sofrer alterações. Uma possível posição mais ao sul do que a observada normalmente pode favorecer chuvas acima da média no sul do Centro-Oeste e do Sudeste. Ao mesmo tempo, as áreas mais ao norte dessas regiões podem registrar precipitação abaixo da média.
Perspectivas e desafios para o país
O aumento das chuvas em regiões já propensas à inundação, aliado ao calor intenso, pode elevar a demanda por energia elétrica e colocar pressão sobre os sistemas de abastecimento de água. Enquanto isso, a escassez de chuva em áreas agrícolas críticas, como o MATOPIBA, pode impactar a produção de grãos e a segurança alimentar.
Os órgãos de gestão de risco de desastres devem monitorar de perto a evolução da ZCAS e das frentes frias, especialmente na Região Sul, onde a combinação de chuvas intensas e ventos fortes pode gerar eventos de tempo severo e aumentar o risco de incêndios florestais.
Em síntese, a primavera de 2026 traz um cenário de extremos climáticos: temperaturas acima da média e distribuição de chuvas desigual, com potencial de impactos significativos na agricultura, na infraestrutura e na saúde pública. O acompanhamento constante das previsões e a adoção de medidas de mitigação serão fundamentais para enfrentar os desafios que se aproximam.
