Resumo da situação
Na noite de sábado, 22, o Gasto Brasil, plataforma que monitora as despesas públicas da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, superou em R$ 1 trilhão o Impostômetro, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Enquanto o Gasto Brasil registra as despesas primárias públicas, o Impostômetro acompanha a arrecadação de impostos, taxas e contribuições. A diferença evidencia o desequilíbrio entre o que o Estado gasta e o que arrecada.
O marco aconteceu poucos dias após o lançamento nacional do Gasto Brasil na Câmara dos Deputados, em Brasília, em 11 de agosto. A apresentação contou com parlamentares, lideranças empresariais e representantes de associações de diversas regiões, reforçando a importância da transparência fiscal no debate constitucional.
Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, da ACSP e da Federação das Associações Comerciais Paulistas (FACESP), destacou que “uma das necessidades que o painel já indica é a revisão estrutural dos gastos públicos”. Ele acrescentou que a reforma administrativa deve ser iniciada agora, antes da nova gestão em 2027, para evitar “problemas na sequência do futuro do Brasil”.
Ritmo acelerado
A distância de R$ 1 trilhão ganha relevância pelo ritmo de crescimento das despesas em 2026. O Gasto Brasil atingiu R$ 3 trilhões em 15 de julho, cerca de 20 dias antes da referência de 2025, apontando uma aceleração em relação ao ano anterior.
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Na mesma data de lançamento em Brasília, o painel já registrava mais de R$ 3,4 trilhões em despesas públicas desde o início do ano. Deste total, quase R$ 1,6 trilhão (46,5%) correspondia à União, enquanto os estados somavam R$ 926,2 bilhões e os municípios R$ 908,1 bilhões.
“Esta conta também não é nossa. Nós lançamos o Gasto Brasil, onde mostramos que o Governo está gastando mais do que arrecada. É o desequilíbrio das contas públicas. Nós temos que trabalhar para falar para o governo: corte de gastos já! Equilíbrio nas contas. É isso que o povo está pedindo”, alertou Cotait Neto.
Transparência
Criado pela CACB em parceria com a ACSP, o Gasto Brasil foi lançado em 2025 como uma ferramenta complementar ao Impostômetro. Os dois painéis compartilham a estrutura instalada na sede da ACSP, permitindo visualizar, lado a lado, a arrecadação tributária e o ritmo das despesas públicas.
A plataforma reúne dados oficiais e permite consultar as despesas por esfera de governo, além de recortes econômicos, valores por população e informações sobre a qualidade dos dados. Foi desenvolvida para ampliar a transparência e facilitar o acompanhamento das contas públicas por cidadãos, empresários, jornalistas, parlamentares e entidades da sociedade civil.
“Qual é a nossa grande preocupação? Trazer uma ferramenta que qualquer um pode olhar e analisar, com o mesmo conceito. Não precisa ser economista, não precisa ser advogado, não precisa ser nada. Precisa simplesmente olhar não só para um número, olhar para um gráfico e dizer assim: ‘está subindo e algo está errado’. É a plataforma ser user friendly, no sentido que você possa mostrar e demonstrar isso para todos”, afirmou Cláudio Queiroz, coordenador do Gasto Brasil.
O lançamento em Brasília ampliou o alcance institucional da iniciativa, levando o Painel Gasto Brasil ao centro do debate sobre orçamento e gestão pública no Congresso. Já o Impostômetro, criado pela ACSP em 2005, registra em tempo real o total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes aos governos federal, estadual e municipal.
