Economia brasileira vive cenário de “equilíbrio precário”, diz IFI
Em seu mais recente Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), a Instituição Fiscal Independente (IFI) avaliou que a economia brasileira está em um cenário de “equilíbrio precário”. De acordo com a entidade, o atual arcabouço fiscal continua se sustentando graças ao uso de descontos legais e à banda de tolerância em torno do centro da meta fiscal. No entanto, os déficits primários efetivos seguem recorrentes, e a dívida pública mantém uma trajetória preocupante de crescimento.
A IFI também alerta que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e derivados abriram espaço para medidas mitigadoras, renúncias fiscais e concessão de subvenções. Além disso, a entidade destaca que a proximidade do período eleitoral reduz a possibilidade de medidas mais profundas de ajuste fiscal.
Previdência segue como ponto de pressão
A previdência continua sendo um ponto de pressão nas contas públicas brasileiras. De acordo com o RAF, as despesas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) voltaram a crescer em termos reais depois de 2021. Os gastos previdenciários corresponderam, em 2025, a 8,1% do PIB e a 42,9% das despesas primárias totais da União.
O relatório aponta que o aumento do número de aposentadorias urbanas e rurais, além da expansão de benefícios como o auxílio por incapacidade temporária, reforça a pressão estrutural sobre as contas públicas. Diante do envelhecimento populacional e do peso crescente da Previdência no orçamento, o tema continuará no centro do debate fiscal nos próximos anos.
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Lei de Diretrizes Orçamentárias 2027
O RAF também analisa o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que deve ser votado pelo Congresso até 17 de julho de 2026. A IFI avaliou os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo para embasar a proposta, como projeções de crescimento do PIB, inflação, taxa Selic, câmbio, arrecadação e desemprego.
A entidade também examinou as projeções fiscais derivadas dessas estimativas, incluindo receitas, despesas, resultado primário e trajetória da dívida pública. Segundo a IFI, o cenário se torna cada vez mais desafiador diante das metas previstas para o resultado primário: 0,5% do PIB em 2027, 1,0% em 2028, 1,25% em 2029 e 1,5% em 2030.
Os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, ressaltam que as divergências nas projeções para inflação, crescimento econômico, juros e câmbio produzem diferenças relevantes nas estimativas de arrecadação, despesas, resultado primário e evolução da dívida pública nos próximos anos.
