Indústria brasileira busca financiamento em bancos tradicionais
Entre fevereiro e julho de 2026, 65,3% das indústrias que solicitaram crédito recorreram a bancos comerciais tradicionais para obter recursos de curto e médio prazo, com vencimento em até cinco anos. Esse percentual ultrapassa o registrado em 2025, quando 61% das empresas apontaram essas instituições como principal fonte de recursos, segundo a Sondagem Especial nº 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
No financiamento de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, os bancos comerciais tradicionais também lideram, citados por 49,5% das empresas industriais que buscaram essa modalidade, contra 51% em 2025.
Desafios de custo e prazo
Para a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, recorrer aos bancos comerciais tradicionais não é, por si só, um problema. O verdadeiro desafio está em encontrar financiamentos com custos, volumes e prazos compatíveis com as necessidades das empresas. “O ideal é que as empresas tenham acesso a diferentes fontes de financiamento para financiar suas atividades. Isso permitiria encontrar, com mais facilidade, fontes que atendam de fato às suas necessidades em relação a prazo, custo e montante”, afirma Colusso.
Capital próprio como fonte de financiamento
O capital próprio foi a segunda fonte de financiamento de curto e médio prazo mais citada, com 23,6% das menções, enquanto os bancos de desenvolvimento ficaram em terceiro lugar, com 18,5%. No crédito de longo prazo, a ordem se inverte: os bancos de desenvolvimento foram citados por 29,5% das empresas, enquanto o capital próprio foi mencionado por 23,1%. Segundo Colusso, o uso de recursos próprios pode ser uma decisão estratégica, mas se torna relevante quando a empresa não tem alternativas de financiamento ou quando o custo do crédito está elevado.
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Pequenas empresas enfrentam mais dificuldades para obter crédito adequado
Para a maioria das indústrias que contrataram ou renovaram crédito, o valor aprovado correspondeu ao montante solicitado: 62,1% no curto e médio prazo e 61% no longo prazo. Por outro lado, cerca de uma em cada quatro empresas relatou ter recebido menos recursos do que precisava. Entre as que contrataram ou renovaram crédito de curto e médio prazo, 24,9% afirmaram que o valor aprovado foi menor ou muito menor do que o solicitado; no financiamento de longo prazo, o percentual chegou a 26,4%. A aprovação de valores superiores aos necessários foi menos frequente, ocorrendo em 11,1% das operações de curto e médio prazo e em 10,8% das de longo prazo.
A análise por porte mostra que as pequenas empresas enfrentam as maiores dificuldades: 33,3% receberam recursos inferiores às suas necessidades no curto e médio prazo, e 34,4% no longo prazo. Entre médias e grandes empresas, os percentuais de insuficiência variaram de 21% a 27,7%, conforme porte e modalidade de financiamento. Maria Virgínia Colusso destaca que as pequenas empresas têm maiores dificuldades de apresentar garantias exigidas, comprovar capacidade de pagamento e negociar condições de financiamento.
Maioria mantém condições semelhantes na renovação do crédito
A pesquisa também avaliou as condições de acesso e renovação das operações. Entre as empresas que renovaram linhas de curto e médio prazo, 53,9% afirmaram que as condições gerais permaneceram semelhantes às anteriores, 24,8% relataram condições piores ou muito piores e 19,7% relataram condições melhores ou muito melhores. No financiamento de longo prazo, 53,2% disseram que as condições de renovação permaneceram semelhantes, 17,8% avaliaram que ficaram piores ou muito piores e 26,9% apontaram melhora nas condições de financiamento.
Conclusão
Os dados revelam que, embora a maioria das indústrias brasileiras continue a depender dos bancos comerciais tradicionais para obter crédito, há uma crescente necessidade de diversificar as fontes de financiamento e de negociar condições mais favoráveis. Pequenas empresas, em particular, enfrentam barreiras significativas de volume e de garantias, o que pode limitar sua capacidade de investimento e expansão. Para que o setor industrial mantenha seu ritmo de crescimento, será essencial que os bancos e as instituições de desenvolvimento ofereçam soluções mais flexíveis, alinhadas às realidades de custo, prazo e volume exigidas pelas empresas.
