Introdução
O presidente Lula (PT) continua a comandar a preferência no Nordeste, segundo a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º). Em todos os recortes, o petista apresenta vantagem expressiva sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), consolidando a expectativa de vitória na região.
Desenvolvimento
No modelo espontâneo, onde os entrevistados são convidados a nomear o candidato sem opções pré-estabelecidas, Lula aparece com 54% das menções, enquanto Flávio registra apenas 22%. Essa diferença de 32 pontos percentuais reflete a forte mobilização do petista entre os eleitores de menor renda e escolaridade, perfil que compõe a maior parte da composição socioeconômica do Nordeste.
Na pesquisa estimulada, em que os nomes são apresentados em lista, a margem permanece ampla: Lula conquista 56% dos votos na região, em comparação com 26% de Flávio. Ao descartar votos em branco, nulos e indecisos, a vantagem do petista cresce ainda mais, com 61% das intenções de voto contra 28% do candidato do PL.
Em um cenário de segundo turno simulado entre os dois principais candidatos, Lula amplia sua margem no Nordeste, alcançando 62% das intenções de voto versus 31% de Flávio, um diferencial de 31 pontos percentuais – a maior diferença registrada entre as quatro regiões analisadas.
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Apesar do domínio, especialistas apontam desafios. O cientista político Bruno Rizzi da Fatto Inteligência Política destaca que, embora Lula mantenha vantagem, a Bahia continua sendo uma zona de competição, pois o candidato ainda não reproduziu o desempenho de 2022 nas pesquisas locais. Esse ponto pode influenciar o resultado final no domingo (4).
Os 9 estados nordestinos somam 43.529.845 eleitores aptos a votar neste domingo, representando 27% do total nacional (158,7 milhões). Essa parcela significativa reforça a importância estratégica da região para o pleito.
Em nível nacional, Lula lidera o primeiro turno com 45% dos votos válidos, frente a 40% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa espontânea mostra que Lula subiu de 20% das menções em abril de 2025 para 39% na pesquisa atual, enquanto Flávio passou de 12% para 31%. O índice de indecisos caiu de 53% para 13%, sinalizando maior consolidação das escolhas eleitorais.
No segundo turno simulado, Lula teria 48% das intenções de voto contra 45% de Flávio, um empate técnico dentro da margem de erro. O petista também se impõe em duelos contra Ronaldo Caiado (48% a 42%), Romeu Zema (49% a 40%), Renan Santos (48% a 39%) e Augusto Cury (47% a 42%).
Quanto à gestão presidencial, 48% dos entrevistados aprovam o trabalho de Lula e 49% desaprovam. A avaliação geral do governo distribui-se em 35% como ótimo ou bom, 23% como regular e 41% como ruim ou péssimo.
Rizzi ressalta que o eleitorado independente – que avalia candidatos além da ideologia – pode ser decisivo. Ele observa que questões como a política de blusinhas e a percepção de gastos com produtos importados influenciam a confiança desse grupo nas propostas de Lula e nas promessas de combate às apostas.
Conclusão
Com a pesquisa apontando uma clara vantagem para Lula no Nordeste, a corrida eleitoral permanece dinâmica, sobretudo em estados como a Bahia, onde a diferença entre os candidatos pode ser menor. A consolidação das intenções de voto nos próximos dias, junto ao comportamento de eleitores independentes, definirá o desfecho do primeiro turno e, em última instância, o futuro político do país.
