Uma viagem que ecoa na memória do planeta
Em 1983, Roberto Burle Marx, arquiteto e paisagista, liderou uma expedição de 11 mil quilômetros pela Amazônia, atravessando nove estados e registrando mais de 400 espécies botânicas. A jornada, que durou 52 dias e contou com 11 participantes, foi marcada pela denúncia do desmatamento e pela crítica à devastação da floresta tropical. Agora, a história volta a ganhar espaço no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, por meio da exposição “Burle Marx – Expedição Amazônia”.
Aberta em 23 de setembro de 2026, a mostra permanece até 24 de janeiro de 2027 e oferece uma experiência imersiva que vai além do simples relato histórico. Entre fotografias, vídeos, anotações e objetos originais do Sítio Roberto Burle Marx, a exposição revela a visão científica e ambiental do paisagista, mostrando seu papel de ativista ambiental ainda hoje relevante.
O olhar científico e a denúncia ambiental
A gerente do Centro Cultural, Ana Amélia Fadul, destaca que a exposição “apresenta a dimensão científica e ambiental da viagem”. Ela ressalta que a equipe, liderada por Burle Marx, realizou um mapeamento de mais de 400 espécies e denunciou a destruição da floresta. O projeto se alinha aos valores do Banco da Amazônia, que sempre foi voltado para sustentabilidade e preservação do meio ambiente.
O curador Luiz Prado explica que a ideia surgiu a partir dos registros produzidos durante a viagem. Ele ressalta que a exposição traz o olhar de Burle Marx sobre a degradação ambiental que ele presenciou, mostrando que sua atuação ia além da produção artística.
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Aprendizado e engajamento com o público jovem
A mostra também se tornou um espaço de aprendizagem para estudantes. Em 23 de setembro, um grupo de 34 alunos do 6º ano visitou a exposição, acompanhados por professores e pelo historiador Rafael Zamorano. Os estudantes ficaram fascinados pelos registros botânicos, especialmente a “Planta da Lua” (Flor da Lua).
Para Zamorano, a abordagem multimídia da exposição mantém as crianças atentas e facilita a transmissão do legado de Burle Marx. Ele destaca que os jardins do paisagista tinham sempre uma função pedagógica, que agora se reflete na forma como a exposição se comunica com o público jovem.
Programação complementar
A abertura da exposição contou com uma programação especial. Entre 23 e 24 de setembro, o Centro promoveu visitas guiadas conduzidas por Zamorano Bezerra. Na sexta-feira, 25 de setembro, ele ministrou uma palestra gratuita intitulada “Roberto Burle Marx – O Sítio e suas coleções” no auditório do espaço.
Serviço
Exposição: Burle Marx – Expedição Amazônia
Período de visitação: De 23 de setembro de 2026 a 24 de janeiro de 2027
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia – Av. Presidente Vargas, 800, Bairro da Campina, Belém (PA)
Funcionamento: De terça a sexta-feira, das 10h às 16h. Finais de semana e feriados, das 10h às 14h.
