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Economia

Brasil precisa dobrar investimentos em infraestrutura para superar déficit histórico

Last updated: 2026/09/15 at 11:27 PM
O Divergente / Brasil Importador Published setembro 15, 2026
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Brasil precisa dobrar investimentos em infraestrutura para superar déficit histórico
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O cenário de investimentos em 2024

Em 2024, o país destinou R$ 266,8 bilhões à infraestrutura, representando 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). A pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) conclui que, para se aproximar dos padrões internacionais, o volume deve subir para cerca de 4,65% do PIB, equivalendo a R$ 550 bilhões, e manter essa taxa por pelo menos duas décadas.

Índice
O cenário de investimentos em 2024Desafios e caminhos para ampliar a escalaProposta de um novo regime de financiamentoLições de experiências internacionais

Os recursos privados lideraram o aporte, totalizando R$ 188,1 bilhões (70,5%). O setor público contribuiu com R$ 78,6 bilhões, impulsionado principalmente por governos estaduais e municipais. A mudança na origem dos recursos ao longo dos últimos anos mostra um aumento expressivo no financiamento privado, que saltou de R$ 88,6 bilhões entre 2010 e 2014 para R$ 184,5 bilhões em 2024. Enquanto isso, o investimento público caiu de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões no mesmo período.

Em termos percentuais, o público passou de 68,1% para 35,7%; o privado de 29,3% para 61,5%; e as instituições multilaterais de 2,6% para 2,8%. A principal fonte de financiamento em 2024 foi o debênture, que representou 40% do total. Seguindo, o capital próprio (17,3%) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) (16,3%). Outras fontes incluíram estados (9,2%), orçamento federal (6%), bancos comerciais (2,5%) e fundos de investimento em participações (FIPs) (1,7%).

A participação privada varia de acordo com o segmento: 91% em telecomunicações, 82,1% em energia elétrica, 65,2% em saneamento e apenas 36,1% em transportes.

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Desafios e caminhos para ampliar a escala

Ramon Cunha, especialista em infraestrutura da CNI, destaca que nenhum recurso isolado pode atender às demandas do setor. Ele ressalta a necessidade de combinar instrumentos financeiros, ampliar a participação do capital privado e criar um ambiente econômico e institucional sólido, com regras previsíveis e projetos de qualidade maturados no médio e longo prazo.

Durante o lançamento do estudo, Ana Paula Silva da Cruz, superintendente de Crédito Grandes Empresas do Itaú, apontou que a expansão das concessões impulsionou a participação privada, graças a uma evolução regulatória que atrai mais investidores e aumenta a bancabilidade privada.

Cláudio Frischtak, sócio-fundador da Inter.B, citou o México como exemplo de reformas institucionais que ampliaram o papel dos fundos de pensão e criaram CKDs (Capital de Crédito para Desenvolvimento) em 2009, elevando a taxa de investimento do país para 23-25% do PIB, 9-10% acima da média brasileira.

Proposta de um novo regime de financiamento

A CNI defende um regime que se apoie na estabilidade macroeconômica e fiscal para reduzir incertezas e custos de capital. O fortalecimento do mercado de capitais, com maior participação de investidores institucionais e a expansão de instrumentos de longo prazo, como fundos de pensão, são pilares essenciais.

Além disso, a proposta inclui a expansão do crédito privado e do project finance, permitindo a distribuição mais eficiente de riscos entre os participantes. A ampliação da carteira de projetos bem estruturados, com apoio de BNDES e Caixa, reforça a capacidade de planejamento e preparação de concessões e parcerias.

Segurança jurídica, previsibilidade regulatória e autonomia técnica das agências reguladoras devem funcionar de forma integrada para mobilizar recursos na escala necessária.

Lições de experiências internacionais

O estudo analisa países como Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França, identificando fatores comuns entre aqueles com maior capacidade de mobilizar recursos: estabilidade macroeconômica, instituições confiáveis, previsibilidade regulatória, desenvolvimento do mercado de capitais, instrumentos de longo prazo e capacidade técnica para estruturar projetos.

Os recursos públicos continuam relevantes, mas devem ser usados estrategicamente para reduzir riscos, viabilizar projetos e atrair capital privado, em vez de substituir o investimento do mercado.

O documento completo está disponível no Portal da Indústria.

VEJA MAIS:

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