Um ritmo que atravessa séculos
O choro, gênero musical que nasceu no Rio de Janeiro do século XIX, continua pulsando nas rodas de músicos que se reúnem para tocar, improvisar e ouvir. Em 29 de fevereiro de 2024, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a forma de expressão como Patrimônio Cultural do Brasil, inscrita no Livro das Formas de Expressão, conferindo-lhe status de patrimônio de âmbito nacional.
Do Rio ao país inteiro
As primeiras rodas de choro surgiram em um cenário urbano onde se encontravam influências europeias, a música da diáspora africana e trocas culturais que caracterizavam o Rio de Janeiro da época. À medida que o gênero se espalhou, cada região adotou variações de repertório e execução, mantendo elementos que permitem reconhecer o choro em qualquer canto do Brasil.
Instrumentos e improvisação
A formação tradicional costuma incluir violão de sete cordas, cavaquinho, pandeiro, bandolim, flauta e clarinete. Cada instrumento desempenha funções distintas – melodia, ritmo, baixo e acompanhamento – e a improvisação, com ornamentações e variações, confere a cada apresentação uma identidade única.
Mulheres na história
Chiquinha Gonzaga, compositora, pianista e regente, foi uma das figuras que consolidou o choro na música brasileira, demonstrando que a forma de expressão não seria apenas um gênero, mas um espaço de criação coletiva.
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Aprender na roda
O aprendizado acontece principalmente por meio da observação e da convivência. Músicos iniciantes acompanham os mais experientes, escutam, experimentam e ampliam seu repertório. Partituras circulam nesses ambientes, inclusive manuscritos mantidos em acervos pessoais, reforçando a importância da memória oral e da prática.
Preservação e valorização
O dossiê de registro inclui propostas de ensino, produção de materiais didáticos, digitalização de acervos, incentivo às rodas públicas e intercâmbio entre núcleos regionais. Também destaca a necessidade de preservar a memória de mulheres e de músicos afrodescendentes historicamente pouco visibilizados.
Brasília e o choro
Mais de mil quilômetros do Rio, Brasília tem sua própria relação com o gênero. As primeiras rodas na capital datam da década de 1960, quando músicos se reuniam em residências. Em 2008, o Clube do Choro de Brasília foi registrado como Patrimônio Cultural do Distrito Federal, reconhecendo sua contribuição para a identidade cultural da cidade.
Um patrimônio vivo
O registro não pretende congelar o choro no tempo, mas reconhecer seu caráter vivo e dinâmico. O gênero continua presente em rodas informais, festas, escolas e apresentações públicas, mantido por músicos, aprendizes e apreciadores em todo o país. Assim, o choro permanece em constante circulação, mudança e transmissão, demonstrando que a música de improvisação e colaboração nunca está parada.
