Introdução
Segundo levantamento da Opinião Inteligência Política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou queda de 3,4 milhões de votos válidos entre o primeiro turno das eleições presidenciais de 2022 e o de 2026. A perda, que se estende a diferentes grupos de municípios, foi mais pronunciada no interior e em locais de votação com menor escolaridade dos eleitores.
Queda nas capitais e nos demais municípios
Nas capitais brasileiras, Lula obteve 45,5 % dos votos válidos em 2022, reduzindo para 44,9 % em 2026, um recuo de 0,6 ponto percentual que equivale a 500 mil votos. Nos 5 543 municípios fora das capitais, a participação caiu de 49,3 % para 45,2 %, correspondendo a 2,9 milhões de votos perdidos.
Estudo abrangente e cruzamento de dados
O estudo analisou 5 570 municípios e cerca de 46 000 locais de votação, combinando dados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral com informações do Censo 2022 do IBGE, de escolaridade dos eleitores e indicadores econômicos municipais.
Queda na votação ocorreu em municípios de diferentes faixas de renda
Ao dividir os municípios em dez grupos de renda domiciliar por pessoa, Lula perdeu participação em todas as faixas. Nos mais pobres, a votação caiu de 73,4 % para 69,5 % (4 pontos). No grupo de renda entre R$ 924 e R$ 1 181, a queda foi de 4,1 pontos, de 54,3 % para 50,2 %. Nos municípios com renda entre R$ 1 380 e R$ 1 560, a redução atingiu 5,2 pontos, de 41,5 % para 36,3 %. Entre os municípios com renda entre R$ 1 940 e R$ 2 284, Lula viu sua votação passar de 36,8 % para 33,1 % (3,7 pontos). Nos municípios mais ricos (R$ 2 713 a R$ 4 300), a queda foi menor, de 0,8 ponto, de 43,3 % para 42,4 %.
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Apesar do recuo percentual nos municípios mais pobres, Lula contou com cerca de 31 mil votos a mais nessa faixa em 2026, graças ao aumento do número de eleitores que compareceram às urnas.
Escolaridade dos locais de votação acompanha diferenças na votação
A análise de 955 cidades com pelo menos 20 locais de votação revelou variações conforme a escolaridade dos eleitores em cada seção. Nos 20 % de locais com menor escolaridade, onde apenas 3,4 % dos eleitores tinham ensino superior, Lula obteve 51,5 % dos votos válidos em 2022, caindo para 47,5 % em 2026 (4 pontos). No segundo grupo, com 6 % de eleitores com faculdade, a votação recuou de 48,4 % para 45,2 % (3,3 pontos). Nos locais intermediários (9,2 % com ensino superior), a queda foi de 2,7 pontos, de 46,5 % para 43,9 %. Entre os 20 % de locais com maior escolaridade (26,7 % com ensino superior), a participação diminuiu apenas 1 ponto, de 42,3 % para 41,2 %.
Interior e locais de menor escolaridade concentram perdas de votos
A distribuição estimada dos 3,4 milhões de votos perdidos leva em conta o tamanho dos municípios e a classificação das seções por escolaridade. Em cidades com menos de 20 locais de votação (4 615 municípios e 48,4 milhões de eleitores), a perda foi de 1,3 milhões de votos. Nas cidades com 20 ou mais locais, os 40 % de seções com menor escolaridade concentraram cerca de 1 milhão de votos perdidos; os 20 % intermediários perderam 400 mil votos, enquanto os 40 % de maior escolaridade perderam 600 mil votos.
Fontes e metodologia
O levantamento foi elaborado pela Opinião Inteligência Política, utilizando dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (votação por seção nos turnos de 2018, 2022 e 2026, perfil de escolaridade em 2026), do Censo 2022 e do PIB municipal do IBGE, além de informações de Bolsa Família, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e pesquisas do Datafolha.
Conclusão
O declínio na votação de Lula, sobretudo em municípios de menor renda e em locais com menor escolaridade, sinaliza mudanças no cenário político brasileiro. A perda de 3,4 milhões de votos pode refletir tanto a evolução demográfica quanto a crescente polarização. Para a próxima fase do processo eleitoral, compreender as dinâmicas regionais e socioeconômicas será fundamental para as campanhas que visam reconquistar ou consolidar a base de apoio.
