Governadores já definidos
O primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro, já definiu 20 dos 27 governos estaduais. Os sete restantes – Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Paraíba e Alagoas – serão decididos no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O Partido Liberal (PL) emergiu como a legenda mais bem-sucedida no turno inicial, conquistando cinco governadores – Sergio Moro (Paraná), Luciano Zucco (Rio Grande do Sul), Marcos Rogério (Rondônia), Arthur Henrique (Roraima) e Jorginho Mello (Santa Catarina). Esse resultado representa um ganho de três governos em relação a 2022.
O PSD ficou em segundo lugar, com quatro governadores eleitos em Amapá, Maranhão, Pernambuco e Sergipe, duplicando sua presença de 2022. O PT, por sua vez, registrou três governadores nas eleições – Bahia, Ceará e Piauí – um a menos que os quatro conquistados em 2022.
Os Republicanos também somaram três governos, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, elevando sua presença de dois governos em 2022. O Progressistas manteve dois governos, enquanto MDB, PSDB e Podemos cada um teve um governador eleito até agora. No Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel trocou o PSDB pelo PP e foi eleito pela nova legenda.
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Comparativo com 2022
Em 2022, PT e União Brasil lideraram o cenário estadual com quatro governos cada, enquanto MDB, PSB e PSDB conquistaram três. O panorama de 2026 já mostra uma inversão: PL e PSD assumem posições centrais, enquanto União, PSB, PSDB e MDB perderam espaço.
Legislativas estaduais e do DF
Na eleição proporcional, as Assembleias Legislativas dos 26 estados e a Câmara Legislativa do Distrito Federal somam 1.059 cadeiras – 1.035 estaduais e 24 distritais. O PL se destaca como a maior bancada, com 212 parlamentares, seguido por PT (141), MDB (112), PSD (103) e PP (81). Em 2022, o PL havia conquistado 129 cadeiras, PT 118, MDB 95, PSD 78 e PP 87.
Análise estratégica
“Para a gente entender esse recorte estadual, a gente precisa entender algumas condicionantes para isso. No caso de São Paulo e Santa Catarina, por exemplo, eram governadores muito bem avaliados, com eleitor fiel da direita e da direita conservadora”, destaca Guilherme Mazieiro, consultor executivo da Oficina Consultoria.
“É importante observar, também, o que os partidos consideraram como estratégia para esse período eleitoral. Todos os outros partidos da direita e do “centrão” estavam muito focados nas eleições do congresso e com mais candidatos também nas assembleias”, conclui.
Principais mudanças por estado
O avanço do PL é especialmente visível em colégios eleitorais de grande peso. Em São Paulo, o partido elegeu 27 dos 94 deputados estaduais, formando a maior bancada da Assembleia Legislativa. O PT ficou com 16, enquanto PSD e PSOL cada um conquistou nove cadeiras.
Em Minas Gerais, o PL também garantiu a maior bancada, com 21 cadeiras, reforçando a presença da direita no segundo maior colégio eleitoral do país. Na Bahia, o PT manteve forte presença, com 14 deputados estaduais, formando a maior bancada estadual.
O contraste entre as legendas tradicionais e as emergentes é evidente: o PSDB, que já teve posição dominante em Assembleias como a de São Paulo, chegou a apenas uma cadeira na Alesp em 2026, em queda em relação às nove cadeiras conquistadas em 2022.
Perspectivas futuras
O cenário atual indica uma realocação de poder no mapa político brasileiro. A ascensão do PL e a consolidação do PSD em governadorias e legislaturas apontam para um fortalecimento da direita e da centrodireita, enquanto partidos como PT, União Brasil e PSDB precisam repensar suas estratégias para recuperar terreno nas próximas eleições. A continuidade desse padrão dependerá de como os governos já eleitos e as novas bancadas legislativas se posicionarem em relação às demandas regionais e nacionais nos próximos anos.
