Resumo do aumento do consumo
Em agosto de 2026, o consumo nacional de energia elétrica atingiu 47.856 GWh, representando um avanço de 4,3% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica divulgada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Este resultado marca o quinto mês consecutivo de crescimento interanual, com aumento em todas as classes de consumo: residencial (+6,9%), comercial (+9,4%), industrial (+0,2%) e outros (+3,0%). O acumulado dos últimos 12 meses chegou a 574.174 GWh, 1,4% a mais que o período equivalente do ano anterior.
Consumo residencial em alta
Na categoria residencial, o volume consumido foi de 14.953 GWh em agosto, impulsionado por um Consumo Residencial Médio (CRM) que bateu recorde histórico da série da EPE, atingindo 181,8 kWh por mês. O aumento foi alimentado por temperaturas mais elevadas, favorecidas pelo fortalecimento do El Niño, e pela maior utilização de equipamentos de climatização, como ar‑condicionados e ventiladores. Além disso, a melhora nos indicadores de emprego e renda, aliada à menor pressão tarifária – a bandeira vermelha patamar 2 do ano passado foi substituída pela bandeira amarela em 2026 – também contribuiu para a elevação do consumo.
Expansão do consumo comercial
O setor comercial registrou 8.717 GWh, a maior taxa de crescimento desde fevereiro de 2024. A expansão reflete o vigor da atividade econômica, evidenciado pelos dados de varejo e serviços divulgados pelo IBGE, e segue o mesmo padrão de aumento de temperatura e tarifário mais leve observado nas demais classes.
Industrial mantém patamar elevado
O consumo industrial atingiu 17.164 GWh em agosto, o segundo maior valor mensal da série histórica, apenas atrás de agosto de 2024. A variação de 0,2% sobre o ano anterior foi impulsionada principalmente pelos setores de produtos alimentícios e extração de minerais metálicos. Em contrapartida, têxtil, borracha, material plástico e minerais não metálicos registraram queda no consumo.
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Bandeira tarifária
Para o mês de outubro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou o retorno da bandeira tarifária verde, que não aplica acréscimo à conta de luz. Essa mudança encerra um período de cinco meses consecutivos sob a bandeira amarela, que impunha um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. A decisão se justifica pelo aumento no volume de chuvas, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, que estabilizou o armazenamento nos reservatórios hidrelétricos e reduziu a dependência de fontes de geração mais caras, como as termelétricas.
O sistema de bandeiras, criado em 2015, reflete, por meio de cores, os custos variáveis de geração de energia no país. A Aneel disponibiliza um ranking nacional de tarifas, que aponta o custo médio do quilowatt‑hora (kWh) cobrado por cada concessionária ou permissionária do país, atualmente em 0,839 R$/kWh, sem incluir tributos, taxas ou adicionais.
Regionalizado
Em comparação regional, todas as áreas do país registraram expansão no consumo total em agosto, com destaque para o Centro‑Oeste (+8,8%), seguido por Sul (+4,9%), Nordeste (+4,8%), Norte (+3,8%) e Sudeste (+3,1%). O comportamento, no entanto, varia conforme a classe de consumo observada em cada região.
No consumo residencial, o Centro‑Oeste (+17,2%) e o Norte (+12,4%) puxaram a alta nacional, seguidos por Sudeste (+5,4%) e Nordeste e Sul (+5,0%, empatados). Entre os estados, treze registraram crescimento de dois dígitos nesta classe, com destaque para Mato Grosso do Sul (+26,0%), Mato Grosso (+25,3%), Acre (+20,5%), Espírito Santo (+18,3%) e Amazonas (+16,7%). Em contrapartida, Rio Grande do Sul (-4,0%), Distrito Federal (-1,5%) e Pernambuco (-0,5%) apresentaram retração no consumo residencial do mês.
No consumo comercial, as maiores altas regionais ficaram com Sul (+14,2%) e Centro‑Oeste (+10,9%), seguidos por Sudeste (+9,2%), Norte (+8,9%) e Nordeste (+4,1%). Entre os estados, os maiores avanços foram Mato Grosso do Sul (+25,1%), Santa Catarina (+20,3%), Paraná (+15,1%), Mato Grosso (+14,8%) e Espírito Santo (+13,1%), enquanto o Rio Grande do Norte (-1,4%) foi o único a apresentar queda na classe.
Já no consumo industrial, apenas a Região Norte (-4,8%) reduziu o uso de eletricidade em agosto, enquanto Sul (+2,2%), Nordeste (+1,4%), Centro‑Oeste (+0,2%) e Sudeste (+0,1%) consumiram mais que no mesmo mês de 2025. No recorte estadual, o Amapá (+58,7%) teve a maior alta do país na classe industrial, e Alagoas (-25,3%) a maior retração, influenciada pela paralisação de uma unidade de cloro‑álcalis no Nordeste desde outubro de 2025.
Conclusão
O crescimento do consumo de energia elétrica em agosto de 2026 reflete não apenas o aumento das temperaturas e a retomada de uma bandeira tarifária mais favorável, mas também a recuperação econômica pós‑pandemia e a expansão de setores estratégicos. Enquanto o setor residencial se beneficia de melhorias no poder aquisitivo e condições climáticas mais quentes, o comércio e a indústria mostram sinais de fortalecimento, apesar de variações regionais. A volta da bandeira verde em outubro pode amenizar o impacto financeiro sobre os consumidores, mas a dependência de fontes de geração mais caras continua sendo um ponto de atenção para a segurança energética e a sustentabilidade do setor elétrico brasileiro.
