O samba que ecoa nas ladeiras e nas avenidas do Rio de Janeiro não é apenas música; é memória coletiva, história e identidade. Em 25 de março de 2025, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural confirmou a revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil das Matrizes do Samba no Rio de Janeiro, consolidando ainda mais a importância de três gêneros que moldaram a cultura carioca: partido alto, samba de terreiro e samba-enredo.
Três formas de fazer samba
No partido alto, a improvisação reina. Enquanto um grupo mantém o refrão, os partideiros surgem em sequência, criando versos que se entrelaçam com ritmo e poesia. Essa prática exige não apenas domínio musical, mas também um profundo senso de escuta e resposta, fruto de anos de participação nas rodas de samba.
O samba de terreiro nasce dos espaços comunitários: quintais, quadras de escolas de samba, terreiros e botequins. Suas letras falam do cotidiano, dos afetos, das lutas e das celebrações, refletindo a vida das comunidades afrodescendentes que deram origem ao gênero. A convivência e a participação coletiva são elementos centrais, pois cada voz, cada percussão, cada passo contribui para a narrativa coletiva.
Já o samba-enredo surgiu nas décadas de 1920 e 1930, principalmente nas escolas de samba do bairro do Estácio de Sá. Ao longo do tempo, passou por processos de profissionalização, mas manteve a essência de contar histórias por meio de música e letra. Os enredos podem abordar eventos históricos, personagens, manifestações culturais, religiosidades e ancestralidades, e são integrados ao desfile de Carnaval, dialogando com dança, canto, percussão e artes visuais.
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Patrimônio Cultural do Brasil
Em 20 de novembro de 2007, o Centro Cultural Cartola solicitou o registro das Matrizes do Samba no Livro de Registro das Formas de Expressão. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a importância dessas manifestações, que são transmitidas de geração em geração e mantidas por comunidades que as consideram referências culturais.
O processo de reavaliação, concluído em 25 de março de 2025, trouxe informações atualizadas e recomendações para a salvaguarda do patrimônio. Essa validação não apenas celebra a história, mas também reforça a necessidade de apoiar as rodas de samba, as escolas de samba e os espaços comunitários onde a tradição continua a vibrar.
Mais de um século após a consolidação dessas formas de expressão, o partido alto, o samba de terreiro e o samba-enredo permanecem vivos em rodas, encontros de sambistas, festas comunitárias e desfiles. A continuidade desses saberes musicais, narrativas e modos de fazer garante que a alma do samba carioca continue pulsando, unindo gerações e fortalecendo a identidade cultural do Rio de Janeiro.
Com informações do Ministério da Cultura.
