Os ímãs de terras raras, os mais potentes do mercado, desempenham papel crucial em tecnologias de ponta, desde motores de veículos elétricos até sistemas de defesa. Em 2026, a China controla mais de 90 % da produção global de NdFeB e SmCo, e a introdução de controles de exportação sobre esses materiais desencadeou uma onda de volatilidade de preços e preocupações de segurança nacional em todo o mundo.
Os controles chineses criaram restrições de fornecimento altamente disruptivas, forçando governos e fabricantes de equipamentos originais (OEMs) a buscar alternativas fora do país. Essa pressão acelerou a criação de cadeias de suprimentos resilientes, especialmente nos Estados Unidos, onde iniciativas de mineração a produção de ímãs ganharam ritmo intenso.
Segundo o relatório da IDTechEx “Ímãs de Terras Raras 2027‑2037”, a participação da China na capacidade mundial deverá cair para 75 % até 2037, enquanto a competição de outras regiões aumenta. No entanto, a pesquisa alerta para uma possível sobrecapacidade global, pois o crescimento da demanda pode ficar atrás da rápida expansão de cadeias de suprimentos fragmentadas.
Nos EUA, a expansão da cadeia de valor “da mineração ao ímã” em 2026 foi impulsionada por um investimento estratégico de US$ 7 bilhões do governo federal. Esse aporte visa garantir a segurança das cadeias de suprimentos de defesa e aeroespaciais, preparando o país para a eliminação de ímãs de origem chinesa das cadeias militares até janeiro de 2027.
Empresas como MP Materials, USA Rare Earth e Energy Fuels capitalizaram o financiamento, ampliando ativos de mineração e processamento na América do Norte, Brasil e Austrália. Elas também buscaram aquisições estratégicas, incluindo a britânica Less Common Metals e a alemã Vacuumschmelze, ampliando sua presença fora da China.
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O governo dos EUA implementou medidas de estocagem, como o Projeto Vault, e firmou acordos de preço mínimo para a compra de óxidos com os principais participantes do mercado, assegurando a viabilidade comercial a longo prazo das empresas do setor. Em julho de 2026, foram introduzidas restrições à exportação de ímãs descartados, incentivando a circularidade e criando oportunidades para empresas emergentes de reciclagem de terras raras.
A demanda global por ímãs de terras raras deverá crescer 1,5 vezes nos próximos dez anos, impulsionada por setores em expansão como robôs humanoides, energia eólica e data centers de IA. Contudo, a IDTechEx prevê que o mercado se tornará cada vez mais competitivo, com cadeias de suprimentos, estruturas de preços e clientes se fragmentando entre a China e seus rivais geopolíticos, resultando em um mercado de duas camadas.
Em síntese, a corrida pela produção doméstica de ímãs de terras raras reflete não apenas uma estratégia econômica, mas também uma postura geopolítica decisiva. O investimento federal, as iniciativas de circularidade e a expansão de capacidade nos EUA sinalizam uma mudança de paradigma, que poderá redefinir a dependência global e fortalecer a segurança estratégica dos países que adotarem essa abordagem.
