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Cotidiano

ANA lança plano de ação para enfrentar El Niño 2026/2027

Last updated: 2026/09/24 at 3:27 AM
O Divergente / Brasil Importador Published setembro 24, 2026
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ANA lança plano de ação para enfrentar El Niño 2026/2027
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Plano de preparação da ANA

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) divulgou o Plano de Preparação para o Enfrentamento dos Impactos do El Niño 2026/2027, que reúne medidas de monitoramento, operação de reservatórios e regulação para orientar a atuação da agência até março de 2027, data em que termina o verão no hemisfério sul.

Índice
Plano de preparação da ANAProbabilidades de persistência do El NiñoImpactos diferentes em cada regiãoRisco de seca no NordesteImpacto sobre a geração de energiaInstrumentos regulatórios e salas de criseMonitoramento contínuoConclusão

Probabilidades de persistência do El Niño

Segundo projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgadas em agosto, a chance de o El Niño persistir entre setembro e novembro deste ano é praticamente certa, com probabilidade de mais de 80 % de o fenômeno se manter até o início de 2027. As mesmas projeções apontam mais de 90 % de chance de o El Niño atingir intensidade classificada como “muito forte” ainda neste segundo semestre.

Impactos diferentes em cada região

Os efeitos do fenômeno não devem se distribuir de maneira uniforme pelo país. No Sul, o aumento do volume de chuvas e das vazões dos rios deve elevar o risco de cheias, exigindo atenção redobrada ao monitoramento de barragens e ao nível dos rios para proteger áreas urbanas e infraestruturas. Já no Sudeste e no Centro‑Oeste, a preocupação é com ondas de calor mais longas, enquanto no Norte o acompanhamento se concentra nos níveis dos rios da bacia amazônica.

Risco de seca no Nordeste

No Nordeste, o principal risco é a seca. Um grupo técnico coordenado pela ANA já trabalha com cenários de distribuição de água para os açudes do Semiárido, diante da possibilidade de a próxima estação chuvosa (2026/2027) render menos do que o esperado. A recarga dos açudes de pequeno e grande porte deve cair de forma significativa, o que pode afetar a irrigação e o abastecimento das cidades da região e exigir reforço no bombeamento de água pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco.

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Impacto sobre a geração de energia

O comportamento distinto das chuvas em cada região também preocupa o setor elétrico. A ANA e demais órgãos vão acompanhar de perto as vazões que chegam às usinas hidrelétricas, já que será preciso equilibrar a geração de energia com o controle de cheias e os demais usos da água nos mesmos reservatórios; um desafio que se torna maior quando algumas bacias enfrentam queda nos volumes armazenados e, outras, risco de enchente.

Instrumentos regulatórios e salas de crise

Para colocar o plano em prática, a ANA poderá usar três instrumentos regulatórios extraordinários: declarar situação de escassez hídrica em rios e reservatórios sob domínio da União, o que permite limitar captações ou flexibilizar regras de operação já em vigor; negociar condições especiais de operação de reservatórios em casos de queda expressiva nos volumes armazenados ou de risco de cheias; e estabelecer condições especiais de uso da água nos 57 sistemas hídricos locais do Semiárido nordestino, com a possibilidade de convocar reuniões extraordinárias para negociar a distribuição da água entre os usuários.

A estratégia também prevê a instalação de salas de crise regionalizadas, voltadas ao acompanhamento de eventos críticos relacionados à segurança hídrica, ao abastecimento e a infraestruturas estratégicas, incluindo o setor elétrico. Uma dessas salas já está em funcionamento no Sul do país.

Monitoramento contínuo

O plano prevê ainda a divulgação de boletins mensais sobre a evolução do El Niño, produzidos em parceria com instituições como Inpe, Inmet, Serviço Geológico do Brasil, Cemaden, Censipam e Cenad, além da transmissão pública das reuniões das salas de crise. O Monitor de Secas, ferramenta que reúne mensalmente o diagnóstico da seca nos 26 estados e no Distrito Federal, deve continuar orientando a antecipação de medidas de resposta.

Conclusão

Com um cenário de alta probabilidade de persistência e intensidade do El Niño, a ANA reforça a necessidade de planejamento integrado e vigilância constante. A combinação de instrumentos regulatórios, salas de crise e monitoramento em tempo real pretende mitigar riscos de inundação, escassez de água e instabilidade no abastecimento energético, assegurando a resiliência de comunidades e setores críticos em todo o Brasil.

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