A retomada das reuniões da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) restabeleceu as articulações para a derrubada de vetos presidenciais que devem ser analisados pelo Congresso Nacional ao longo das próximas semanas. O colegiado voltou a se reunir na terça-feira (3).
Um dos temas que têm chamado a atenção da FPA é a tabela do frete que, na avaliação dos congressistas, tem provocado aumento nos custos de escoamento da produção agrícola e pressionado o custo de produção no campo.
Durante os debates, a bancada também analisou dados relacionados ao aumento da fiscalização eletrônica do piso mínimo do frete, iniciada em outubro de 2025. Segundo o colegiado, a medida resultou em um crescimento expressivo no número de autuações. Em 2025, foram realizadas quase 420 mil fiscalizações, que resultaram em mais de 64 mil multas.
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Apenas nos primeiros 20 dias de janeiro de 2026, foram aplicadas 35.362 multas — volume que corresponde a cerca de 55% do total de autuações registradas ao longo de todo o ano anterior, mesmo com um número proporcionalmente menor de fiscalizações no período.
De acordo com a FPA, congressistas e entidades ligadas ao setor consideram que a tabela vigente, instituída pela Lei nº 13.703/2018, não contempla adequadamente a sazonalidade, as diferenças regionais nem operações com múltiplos Manifestos Eletrônicos de Documentos Fiscais (MDF-e). O colegiado também avalia que a metodologia aplicada é imprecisa e está desatualizada.
Ex-presidente da FPA, o deputado Sérgio Souza (MDB-PR) demonstrou preocupação com os impactos da política de pisos mínimos. Para ele, o principal prejudicado nesse cenário é o produtor rural.
“O grande desafio do agro neste ano é o custo de produção. O risco fica todo com o produtor rural, enquanto o preço final cresce na ponta da venda e quem acaba ganhando é o atravessador. Precisamos encontrar uma solução, mesmo sabendo que não é simples. O problema da tabela de frete é parte central desse desafio e onera justamente quem mais trabalha pelo país”, afirmou.
Faixa de Fronteira
Outra prioridade do setor agropecuário é a análise dos vetos relacionados à Faixa de Fronteira e a dispositivos inseridos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Em relação à LDO, o colegiado atua pela recomposição de recursos estratégicos para o setor, com destaque para a subvenção econômica ao Prêmio do Seguro Rural, considerada essencial para a mitigação de riscos climáticos e a garantia de renda ao produtor.
O presidente da Frente, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), defendeu a derrubada dos vetos, apontando a medida como fundamental para garantir segurança jurídica, previsibilidade e condições adequadas de trabalho no campo.
“Temos o veto da Faixa de Fronteira que precisamos derrubar com urgência, pois ele vem gerando problemas para produtores e municípios. Afeta diretamente a segurança jurídica e o sustento dos trabalhadores do campo. O Brasil está vivendo um processo silencioso e contínuo de desconstrução de políticas públicas essenciais ao agro”, declarou.
O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) reforçou a avaliação. Segundo ele, a regulamentação da Faixa de Fronteira é determinante para a proteção do setor produtivo.
“Infelizmente, é um tema ao qual o governo atual dá pouca atenção, mas seguimos lutando porque impacta diretamente o crédito e o financiamento do produtor rural”, completou.
A Faixa de Fronteira corresponde a uma área de até 150 quilômetros de largura ao longo das fronteiras terrestres do Brasil, abrangendo aproximadamente 16,77% do território nacional.
Lei de Proteção de Cultivares
A Lei de Proteção de Cultivares também foi apontada como tema estratégico pelos parlamentares que compõem a FPA. O colegiado avalia que a norma contribui para o fortalecimento da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico no meio rural.
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Lupion ressaltou que a matéria foi amplamente debatida entre entidades do setor produtivo e defendeu o avanço de sua tramitação no Congresso Nacional.
Na avaliação do diretor-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Fabrício Rosa, a legislação atual permite que o agricultor adquira sementes sem a obrigatoriedade de remunerar o melhorista.
Segundo ele, embora o modelo preserve a liberdade de compra do produtor, a ausência dessa remuneração compromete os investimentos em pesquisa. “Se não criarmos uma forma de apoiar as empresas de melhoramento genético, elas vão quebrar”, alertou.
