Quando o Canal do Sertão Alagoano começou a levar água para o interior de Alagoas, a realidade da população era de escassez. Eram anos de seca severa, com plantações perdidas e famílias pagando até R$ 500,00 por uma pipa d’água trazida de longe. O milho não vingava, o feijão era pouco, e a lavoura, quase inexistente. O início do canal foi como uma bênção para a comunidade: desde sua concepção, com apenas um quilômetro de água, já começou a mudar vidas, e os moradores finalmente viram o verde voltar à paisagem.
Com apoio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH), a iniciativa é uma das principais obras estruturantes de infraestrutura hídrica do Nordeste. Os trabalhos avançam com o objetivo de garantir água de qualidade, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável para a população de Alagoas, levando água para abastecimento humano, agricultura familiar, irrigação e atividades produtivas.
O canal leva água do Rio São Francisco, no município de Delmiro Gouveia e, quando concluído, terá 250 quilômetros de extensão, beneficiando diretamente cerca de 1 milhão de pessoas em mais de 40 municípios. Para acompanhar de perto o avanço das obras, o titular da SNSH, Giuseppe Vieira, esteve nesta quinta-feira (10), em São José da Tapera, para uma visita técnica nos trechos 4 e 5 do canal, este último ainda em obras. “É uma obra que recebeu ordem de serviço no ano passado pelo presidente Lula, priorizada pelo governador Paulo Dantas e apoiada pelo novo PAC. Hoje, temos a satisfação de ver o quanto ela avançou, levando água para quem mais precisa”, destacou Vieira.
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Atualmente, já foram entregues os quatro primeiros trechos, que somam cerca de 120 quilômetros de canal. As obras, que estavam paradas, foram retomadas em 2023, após a assinatura de nova ordem de serviço no âmbito do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com apoio do Governo Federal. A etapa V do canal contempla cerca de 30 km de extensão e tem como objetivo ampliar o acesso à água para milhares de famílias no semiárido alagoano. O projeto prevê, ainda, a construção de mais dois trechos, totalizando sete.
Satisfeito, o agricultor José Araújo Rodrigues, de 53 anos, relata os frutos do trabalho irrigado pelo Canal do Sertão. Hoje, ele tem 50 pés de coqueiro produzindo, além de laranjeiras, limoeiros e pocãs. “A gente planta milho, sorgo e ração pros bichos. Quem comprava fora passou a comprar aqui, com preço melhor”, compartilha.
Pai de três filhas, ele vê no canal não só um divisor de águas no campo, mas na vida inteira. “Hoje, eu só tenho a falar maravilhas do canal. Foi ele que me deu força e coragem para seguir em frente”, afirma.
O prefeito do município, Jarbas Ricardo, agradeceu o apoio do ministério e destacou a importância do empreendimento para a população. “Esse é o tipo de obra que ninguém consegue mensurar o valor, a satisfação. Estamos na região mais seca do Brasil, e isso aqui muda vidas”, salientou o gestor.
O secretário de Estado da Infraestrutura de Alagoas, Gustavo Torres, também comemorou o avanço das construções. “Hoje pudemos ver os resultados positivos que essa obra traz para a agricultura familiar. Com todo esse empenho, já estamos avançando com a obra e esperamos entregar mais quatro quilômetros de obra útil no final do ano”, compartilhou Torres.
A continuidade das obras é uma das prioridades do MIDR dentro da Política Nacional de Segurança Hídrica, com foco na revitalização das bacias hidrográficas, uso racional da água e fortalecimento da resiliência das comunidades rurais.
